Carta de Demissão

Se, por algum motivo, o leitor está a ponderar deixar o seu atual emprego, deve pensar em sair com uma nota positiva. O primeiro passo será efetuar o aviso prévio, previsto na legislação laboral. O segundo deverá ser a sua divulgação nos canais internos/externos da organização. Um terceiro e último passo, frequentemente negligenciado, consiste no envio da Carta de Demissão. Regra geral, para comunicar uma intenção de saída, é suficiente que o faça diretamente com o seu superior hierárquico cara a cara (na impossibilidade, por videochamada) com alguma antecedência. Contudo, existem boas razões para escrever uma Carta de Demissão, das quais se destacam as seguintes:

1) Cria uma prova em papel – mesmo que ninguém a solicite, deve entregá-la para que haja documentação de suporte formal da sua notificação com a especificação da data de saída, o que ajudará no cálculo do fecho de contas e na transição de responsabilidades;

2) É um procedimento habitual – a expectativa de entrega de uma Carta de é Demissão depende da indústria ou organização onde se trabalha, daí a necessidade de esclarecer a situação previamente. A melhor forma consiste em contactar discretamente os Recursos Humanos ou alguém que tenha saído da organização e auscultar o tratamento que é dado a estas situações;

3) Sente que ajudará a gerir a conversa – informar a chefia da nossa saída pode ser embaraçoso, especialmente no momento de dar a notícia pessoalmente. Para ajudar a iniciar a conversa, pode enviar previamente a sua Carta de Demissão por e-mail. Desta forma, a chefia terá tempo suficiente para processar a notícia antes de se reunir consigo;

4) Quer controlar a mensagem – escrever uma Carta de Demissão permite ser claro sobre o timing e os motivos da saída. Se suspeitar que a sua chefia tenterá justificar a sua saída de uma forma menos verosímil e mais conveniente para ela, pode enviá-la em cópia aos Recursos Humanos e ao superior hierárquico da sua chefia.

No que concerne à redação da Carta propriamente dita, é importante que a mantenha curta. Dirija-a à sua chefia ou aos Recursos Humanos dependendo da sua preferência. Diga de forma concisa quando pretende partir e qual o seu próximo passo a nível profissional. Se ainda não tiver uma oportunidade em vista, mantenha essa informação vaga, mencionando algo como: "Vou partir para explorar o próximo capítulo da minha carreira profissional." Deverá também expressar gratidão pela experiência que teve, desde que haja algo pelo qual esteja genuinamente grato. Considere incluir algumas especificidades sobre projetos nos quais trabalhou com entusiasmo, bem como realizações profissionais atingidas, das quais se orgulha. Termine abordando os próximos passos, incluindo a data sua partida e a passagem de tarefas e responsabilidades. Será sempre bem visto oferecer a sua disponibilidade para ajudar na transição.

Finalmente, deve evitar fazer críticas abertas à organização. Isto não significa ficar em silêncio perante quaisquer queixas que tenha a fazer. Apenas que deverá guardá-las para o melhor momento que é a entrevista de saída. E se acontecer sair por Mobbing ou outro problema igualmente grave, deverá expor uma queixa diretamente nos Recursos Humanos, nunca na Carta de Demissão.

Terminemos com as palavras de Carlin George, um humorista americano vencedor de cinco Grammys, para reflexão: “A maioria das pessoas trabalha apenas o suficiente para não ser despedida e recebe apenas o dinheiro suficiente para não se despedir.”.