Os Profetas da desgraça

Na época de verão é inevitável termos os profetas da desgraça a abordarem o tema da floresta e dos incêndios florestais de forma dramática e a Madeira não foge à regra. Sempre que se verificam incêndios florestais, estes enchem as capas dos diários e preconizam abertura de telejornais, com jornalistas em direto, por vezes literalmente em cima do acontecimento (incêndio). Mas podem questionar, porque estarei eu a abordar este tema numa semana chuvosa, numa época em que os incêndios não são problemáticos, numa altura em que a oposição e alguns partidos “esqueceram-se” do tema.

Pois bem, abordo o tema por considerar que esta é a melhor altura do ano para o fazer, fora do mediatismo e algum fundamentalismo da temática, quando o mesmo se encontra esquecido.

Começo contrariando aqueles que acham que as florestas com intervenção bem geridas não ardem. Para corroborar este facto relembro os grandes incêndios que afetam países com grande investimento na floresta e que possuem uma gestão florestal ativa como os Estados Unidos da América ou a Austrália. Nestes países os grandes incêndios acontecem, consomem vastas áreas de floresta utilizada pelo homem e estendem-se a áreas urbanas, provocando impactos ambientais e financeiros elevadíssimos, não obstante todo o investimento efetuado por esses mesmos países na gestão e prevenção das florestas contra incêndios, inclusive o investimento em conhecimento científico na área da gestão do fogo. Obviamente se não existisse investimento na floresta principalmente na prevenção e no combate, estes incêndios teriam consequências bem maiores. Por isso não existe outro caminho na gestão desta floresta utilizada pelo homem senão reduzir o risco de incendio através de trabalhos silvícolas de prevenção.

Mas porque na Madeira os profetas da desgraça não falam desse trabalho de prevenção realizado e porque não enche as capas de diários ou abrem os telejornais, torna-se importante dar a conhecer esse trabalho e investimento que ininterruptamente o Governo Regional realiza através do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza IP-RAM (IFCN).

Continuamos a limpar e beneficiar a extensa rede de caminhos florestais ao longo de toda a ilha. São mais de 1400 Km que obrigam ao longo de todo o ano, sempre que as condições meteorológicas o permitem, a trabalhos de melhoria do piso, para a passagem dos meios de prevenção e combate e trabalhos de limpezas das bermas criando zonas de descontinuidade de matos (combustível).

Continuamos as sucessivas limpezas de invasoras e matos, um pouco por toda a ilha, em áreas sob gestão do IFCN. Dou o exemplo do Paul da Serra onde é bem visível essas limpezas que continuamos a efetuar, num trabalho continuo ao longo de todo o ano.

Continuamos na “Faixa Corta Fogo” a limpar matos, eliminar invasoras e a plantar espécies florestais adequadas ao local.

Continuamos a efetuar construções e reparações de reservatórios de armazenamento de água para combate a incêndios florestais. Relembro que recentemente foi concluído o sistema de combate a incêndios da “Faixa Corta Fogo” no Caminho dos Pretos que conta com um reservatório de um milhão e meio de litros, debitando água para uma conduta de 9 Km ao longo do Caminho dos Pretos e permitindo o acesso do meio aéreo de combate a incêndios.

Continuamos a investir em novos, modernos e eficientes equipamentos de limpeza da floresta.

Os Sapadores Florestais são uma realidade na Madeira e têm um papel importante na limpeza da floresta.

A Central de Biomassa Florestal será uma realidade a curto prazo, valorizando a biomassa florestal e incentivando a limpeza dos terrenos privados isentos atualmente de gestão florestal.

Este trabalho e investimento por parte do Governo Regional, conjuntamente com o trabalho e esforço de alguns proprietários de terrenos florestais e de autarquias, faz com a RAM possa cumprir com os objetivos e metas delineados em documentos sectoriais aprovados como é o caso do Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF RAM) que traça e delineia o futuro da floresta da RAM para os próximos 25 anos.