Quem pode, opte!

A UNICEF está a promover uma campanha de recolha de donativos com vista à aquisição de cobertores térmicos, kits de inverno para crianças e adolescentes que incluem roupas quentes, botas, gorros e luvas e kits de inverno para bebés que contêm um gorro, botinhas, meias de lã e outras peças de roupa.

Estes kits destinam-se às milhares de crianças migrantes e deslocadas que se encontram em campos de refugiados, de diversos países, e que enfrentam, agora, a ameaça terrível do frio. Para tal, desenvolveu um spot publicitário com imagens terríveis que mostram a realidade dessas crianças. Meu caro leitor, não tenha dúvidas: centenas de crianças irão morrer devido o rigor do inverno. Crianças iguaizinhas àquelas que temos em casa e que tudo fazemos ou faríamos para proteger. Por isso, não fazer nada não é opção. Se puder, ajude. Faço-o através do número de telefone 760109204 ou em tenhofrio.unicef.pt.

Este meu primeiro artigo do ano era para ser exclusivamente dedicado às próximas eleições legislativas. Todavia, como cristão e personalista não poderia ficar indiferente ao apelo dramático da UNICEF.


Vamos lá, então, às eleições.

Os militantes de todos os partidos, na Região, enchem a boca para falar de autonomia. Mas chegámos à pré-campanha e vamos ver os programas eleitorais e não encontramos, muitas vezes, uma linha que seja sobre as autonomias. Neste aspeto, honra lhe seja feita, o PSD não desiludiu e apresentou, de forma clara, o que pretende para as duas Regiões Autónomas. Ao contrário de outros partidos, cujos candidatos nos pedem que acreditemos no que dizem quase que por um ato de fé, o PSD deixa claro o que pretende: integrar o princípio de subsidiariedade, transversalmente a toda a legislação nacional e, de modo particular, nas relações entre as Autonomias Políticas; garantir o cumprimento do Princípio da Continuidade Territorial, assumindo a República as suas responsabilidades ao nível do transporte marítimo e aéreo de pessoas e mercadorias, nas comunicações, na cultura e no desporto; rever a Lei de Finanças Regionais; analisar a possibilidade de criação de Sistemas Fiscais Regionais; rever as condições de financiamento da proteção civil e do combate aos fogos, dos subsistemas de saúde e das taxas aeroportuárias.

No caso da Madeira, garante o financiamento de 50%, por parte do Estado, na obra do novo hospital (sem que a Região tenha de entregar os Marmeleiros ou o Hospital Nélio Mendonça) e mostra abertura à redução dos juros do empréstimo do Estado à Região, colocando esses juros iguais aos do financiamento da República, não onerando mais os Madeirenses face aos restantes Portugueses.

É preto no branco. Só o facto do PSD dedicar um capítulo às Autonomias e ter deixado clara a sua posição relativamente às questões que são importantes para as populações destas Regiões, seria merecedor da confiança dos eleitores madeirenses. Mas não é só. Enquanto os candidatos do PSD-M se esforçam para esclarecer a população relativamente àquilo que irão defender na Assembleia da República, em defesa da Madeira, os candidatos do PS insistem em branquear todas as patifarias que Costa fez aos madeirenses. Veja-se que chegam ao ponto de elencar como medidas positivas o básico cumprimento da legalidade. Mas é o que temos e não é surpreendente. É o PS-M a ser o PS-M: sempre subserviente ao centralismo de Lisboa.

Por isso, no dia 30, os madeirenses têm de ter bem claro o que está em causa: a eleição dos deputados que nos irão representar em São Bento, na próxima legislatura.

E os meus amigos de outros partidos vão ficar chateados, mas a verdade é que um voto num partido que não seja PS ou PSD é um voto desperdiçado. Ao votar no BE não reforçam a Catarina, nem dão mais força a André Ventura, votando no Chega. E o Cotrim Figueiredo não vai deixar de ser deputado único da IL, caso aqui se vote no seu partido. Nenhuma candidatura tem possibilidade de eleger deputados, para além do PS e do PSD. Resta saber o que pretendem os madeirenses: vão confiar naqueles que ao longo de décadas mostraram que o seu partido é a Madeira ou vão votar numa lista que, por uma e outra vez, mostrou estar mais empenhada em defender António Costa? Votarão no verdadeiro partido da Autonomia, que é o PSD, ou irão desperdiçar o seu voto para eleger deputados que representarão tudo, menos a Madeira e os Madeirenses?

Pense nisso, antes de colocar o seu voto nas urnas!