O fundamental contributo do IFCN na retoma do turismo

Um dos sectores económicos mais afetados pela pandemia foi o turismo. O turismo que na RAM adquire um peso acrescido e que tem um fator contagiante sobre muitos outros setores quer económicos e sociais.

O Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) tem sob sua tutela a gestão de inúmeros espaços visitáveis e turísticos, que vão desde o mar, à serra e até muitas das mais emblemáticas quintas e jardins da RAM.

No mar, encontram-se sob gestão do IFCN as áreas protegidas que constituem spots de mergulhos, destacando-se a reserva do Garajau e os navios afundados, tanto a Corveta Afonso Cerqueira na área protegida do Cabo Girão como a corveta General Pereira d'Eça e o navio Madeirense no Porto Santo. No espaço florestal gerimos os principais pontos de atração e de afluência de turistas, quer sejam ao nível do pedestrianismo, quer seja ao nível de outras atividades lúdicas. Destaco a zona do Rabaçal, Queimadas, Ribeiro Frio e Ponta de São Lourenço. Nas quintas e jardins o IFCN gere um dos locais mais visitados, diria mesmo local de visita “obrigatória” dos turistas, o Jardim Botânico da Madeira Eng. Rui Vieira (JB).

Todos estes locais e estas zonas estiveram praticamente sem visitantes durante a pandemia e muitos deles apenas foram frequentados por madeirenses. Contudo, começamos a assistir, mês após mês, a uma maior afluência de visitantes/turistas, embora longe dos números e valores que estávamos habituados.

O turismo de natureza, com a pandemia, adquiriu ainda maior peso e maior importância nos números do turismo da RAM. Muitos dos turistas na escolha do destino Madeira, ponderam muitos fatores, mas sempre com a natureza na base da sua escolha.

O JB, este ano, teve 2 000 visitantes em março, 4 000 visitantes em abril e 8 000 em maio, mas ainda longe dos mais de 40 000 mil visitantes que registou em cada um desses meses em 2019 antes da pandemia.

Ao nível do mar, registamos acréscimos, mês após mês, no número de mergulhos, já ultrapassando este ano os 1000 mergulhos na Madeira e os 300 no Porto Santo. Atualmente existem 5 clubes na ilha da Madeira e 2 no Porto Santo a operarem regularmente no mergulho.

Ao nível do pedestrianismo os principais locais de visita começam novamente a ser procurados por turistas, registando-se já muitos pedestrianistas ao longo das levadas e veredas.

Mas para que hoje se comece a assistir a estes números animadores de turistas, foi necessário não baixar os braços e continuar com todo o investimento previsto e projetado antes da pandemia, incluindo os trabalhos de manutenção de todos estes espaços.

A este nível, o IFCN tem efetuado os trabalhos de monotorização e acompanhamento das áreas marinhas protegidas. Tem em curso empreitadas de requalificação e de aumento da rede de percurso pedestres recomendados (PR) na RAM, principalmente na zona do Rabaçal onde encontra-se em fase final de requalificação mais 40 Km de oferta aos pedestrianistas, permitindo um maior leque de escolhas. Não obstante este aumento não foi esquecida a manutenção dos PR que fruto da pouca utilização e das condições meteorológicas adversas, têm sido objeto da ocorrência de inúmeras derrocadas.

Ao nível das quintas e jardins destaco as obras estruturantes no JB com a requalificação das portarias e melhoramento das acessibilidades e não menos importante, embora menos visível, a implementação de um complexo sistema de rega automático em todo o jardim. Aproveitamos a época com menos visitantes para colocar as obras no terreno.

Na Quinta do Santo da Serra abrimos o Centro Florestal da Macaronésia dando a conhecer aos visitantes a história da Floresta e Conservação da Natureza na RAM.

O trabalho do IFCN continuará aliado a outros excelentes trabalhos de diversas instituições do Governo Regional. Esperemos que Governos de outros países reconheçam este trabalho, principalmente o Governo Britânico e que discrimine positivamente a RAM do todo nacional nas medidas de quarentena impostas. Esperemos que o Governo da República tenha a capacidade de defender Portugal e as Regiões Autónomas nos destinos turísticos importantes, não se resignando a tomadas de posição injustas e discriminatórias de outros estados sobre Portugal.

 

 

Manuel António Filipe

Presidente do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza

à quarta-feira, de 4 em 4 semanas