Ser Covid

Perdoem-me as palavras, mas esta merda mói que se farta, não dói, mói mesmo!

Esta foi a minha experiência com a Covid. Não foi a melhor, nem a pior, foi a minha, a da minha família, e se este texto servir para ajudar alguém, já vale a pena ter passado por tudo isto!

Chorei quando recebi o resultado, chorei porque tenho mulher, três filhos e uma mãe em casa e sabia de antemão que todos estariam contagiados e tive medo!

Logo depois tentamos perceber como apanhamos “o bicho”, não que isso servisse de alguma coisa naquele momento, mas é a primeira coisa que nos passa pela cabeça.

Como, quando, onde, quem são as primeiras questões que queremos responder, mas nem sempre é possível, pelo menos de imediato, ter essas respostas, há que ter calma e aguardar. Felizmente conseguimos reunir informação suficiente para definir uma cadeia de contágio, não porque queríamos “culpados”, porque ninguém tem culpa de ficar doente, queríamos era quebrar a cadeia o mais rapidamente possível. O que se percebe é que por mais cuidados que tenhamos, por mais máscaras e álcool-gel que usemos, por mais que evitemos frequentar espaços fechados e movimentados, é muito fácil ter um descuido, é fácil estar com um amigo ou visitar um familiar, ou mesmo menosprezar um sintoma e chega-nos a vez.

Passámos o último ano confinados, cumprindo todas as regras definidas, protegendo quem tem de ser protegido, com a consciência de que tenho uma exposição social grande, lido com muita gente, por isso todos os cuidados são redobrados, exagerados algumas vezes, mas perante o desconhecimento disto tudo, seguimos as regras que nos são indicadas. Mesmo passado um ano, ainda não é possível termos certezas de nada, não vale a pena tentar justificar esta pandemia com as teorias ou explicações que se leem e ouvem pelas redes sociais, já deveríamos ter todos percebido que isto é bem pior do que parece.

O resultado do teste chegou ao final do dia, já perto da meia noite e estive as horas seguintes a mandar mensagens à família, aos amigos e procurar contactos de clientes com quem estive nos dias anteriores, preocupado com o seu bem-estar, querendo que esta cadeia se quebrasse aqui em casa. Recolhi números de telefone, números de utente, liguei e mandei mensagens, porque quis tudo fazer para ajudar, pensei nos pais, nos avós, nos amigos doentes que não poderiam ser contagiados.

Poderíamos simplesmente ter tido acesso a códigos para digitar na aplicação STAYAWAY, que é paga pelos nossos impostos, e dessa forma notificar de imediato quem connosco esteve. Poderiam até não estar com o seu smartphone no momento, poderiam até nem ter um smartphone, poderiam estes não querer usar a aplicação, mas é uma ferramenta de prevenção tão válida como todas as outras que temos usado e que me é negada, por questões políticas, e isso não perdoo!

Fui, no entanto, devidamente contactado, acompanhado e informado de todos os passos a seguir, do que fazer e como o fazer. Na manhã do primeiro dia Covid estive constantemente em contacto com a pessoa responsável pelo processo, a quem chamei logo de “a minha gestora de conta”, a ela o meu primeiro agradecimento, pela competência, disponibilidade, paciência e cuidado tido com a minha família toda, até pelos minutos que dispensou para ajudar o meu filho mais velho, com dez anos, a entender o que se estava a passar.

Obrigado Isabel!

Em modo de desabafo fica aqui também uma recomendação para os pais que ainda não passaram por isto. O pânico e desinformação não ajudam nada para se tomar as melhores decisões.

Fizemos de imediato o isolamento dos miúdos e decidimos partilhar toda a situação junto dos pais dos colegas de turma dos nossos filhos, além de estabelecer a devida comunicação com a escola, procurando sempre agir da melhor forma possível para família e comunidade. Relativamente às decisões que as escolas tomam e o momento que as tomam, estão sujeitas às orientações e decisões do(a) delegado(a) de saúde local, e pelo que percebi, muitas das vezes a demora no envio das informações acontece, obviamente, pelo elevado número de casos diários que ocorrem na região, mas especialmente pelo elevado número de contactos e chamadas que são feitos por quem está com dúvidas sobre o que deve ou não fazer, especialmente os pais que estão inseguros e receosos, como é compreensível.

No entanto os protocolos estão definidos e nas escolas, quer os professores, diretores e comunidade educativa estão devidamente orientados e seguem as instruções que são facultadas pelo(a) delegado(a) de saúde. Não faz sentido ser de outra maneira, há que haver uma cadeia de comando, porque senão cada um decidia como quisesse e instalava-se o caos. Tudo isto é novo para todos nós, e os receios e incertezas naturais, mas temos também de ser racionais, principalmente pelo bem dos nossos filhos.

Obrigado, do fundo do coração, aos meus Amigos, à minha Família, até aos clientes que de pronto se disponibilizaram para nos ajudar. Obrigado pelos mimos, presentes, compras e auxílio que recebemos dos nossos amigos e família.

Obrigado a todos os que liguei a pedir ajuda e orientação, pois foram fundamentais para uma mais rápida gestão desde processo todo.

Obrigado à Escola onde os meus filhos estudam, à Direção, aos Professores, Educadoras e aos Funcionários, a todos o meu sincero agradecimento e os parabéns pela gestão responsável deste processo, pela forma como a escola está preparada para, em horas, possibilitar que os alunos assistam às suas aulas em formato on-line, sem contratempos.

A todos sou-vos grato para toda a vida!

Usem as máscaras de forma segura e correta, lavem regularmente as mãos, preferencialmente com água e sabão, evitem aglomerados e mantenham o distanciamento social. Não procurem justificações e teorias para entender esta pandemia, procurem cumprir as regras e não aproveitar as exceções. Não procurem culpados e inocentes, pois estamos todos juntos nesta batalha contra algo que não se vê, mas que anda realmente aí!

Havemos todos de ficar bem, pelo menos os que cá ficarem.