Apontar o dedo é tão fácil!

Chegados que estamos ao primeiro ano desta segunda década do século XXI, antes de mais, quero desejar a todos os leitores um feliz ano novo! Apesar de todos os obstáculos e dificuldades com que todos nos deparamos, tenho esperança e fé de que esta provação será ultrapassada em 2021; claro que, não podemos esquecer que para superar a pandemia há que ter duas premissas em conta: as medidas de proteção individual e o distanciamento social! Mas acima de tudo, o que se impõe é a responsabilidade e o sentido cívico de cada um de nós!

Podem começar a torcer o nariz à vontade, podem criticar à vontade e podem sim senhor apontar o dedo à vontade! Mas enquanto a cabeça de cada um não perceber que o combate à pandemia começa na sua casa e na sua família, isto não vai lá não senhor! É que não vai lá mesmo… A cada dia que passa, somos confrontados com uma catadupa de sabedoria online, um autêntico debate aceso nas redes sociais, onde surgem grandes peritos em apontar o dedo ao vizinho, aos outros e a quem decide, porque apontar o dedo é tão fácil! É caso para dizer, em matéria de decisões da tutela na imposição de medidas de restrição para a contenção pandémica, lá diz a sabedoria popular que o governo é “preso por ter cão e preso por não ter”.

É perfeitamente compreensível que as pessoas estejam cansadas, que há necessidade de afetos, que temos saudades de nos abraçar e de conviver sem medo, mas a pandemia que insiste em nos afetar ainda não permite que possamos desfrutar de momentos coletivos!

O sopro de esperança que invadiu o mundo com o início da vacinação é sem dúvida um sinal de alento, mas não pode de forma alguma implicar um relaxamento das medidas de proteção individual por parte dos cidadãos, nem por parte da tutela! Enquanto estivermos a lutar contra a pandemia, não podemos ser descuidados… Os velhos do restelo em matéria de saúde pública, os eternos maus agoiros podem gritar e espernear à vontade, mas sem responsabilidade individual e coletiva, sem sentido cívico, um novo confinamento será um caminho provável! Mas também é importante dizer, a bem da verdade, que um segundo confinamento generalizado, teria consequências catastróficas na economia, na prestação de cuidados de saúde, na saúde mental da população, na organização do tecido social, na socialização…. Seria muito penoso, tornaria a missão do governo em liderar a recuperação social e económica ainda mais penosa, e afetaria os cidadãos, as empresas e as instituições de forma ainda mais violenta, e deixaria um rasto devastador na nossa vida coletiva.

Por isso, ao invés de passarmos a vida nas redes sociais a praticar “cantigas de escárnio e maldizer” tal como fez no seu tempo o saudoso e histórico Gil Vicente, de forma enquadrada no contexto social daquela época, é imperativo que nos tempos que correm, agucemos o nosso sentido cívico e solidário! Deixemos de ser tão céleres a apontar o dedo para criticar, e passemos a dar a mão à palmatória aos que diariamente têm de decidir como combater esta guerra sem bombas. Governar é difícil, cuidar é muito difícil, mas nos tempos que correm ainda mais difícil é… No meu artigo anterior, afirmei que o combate à pandemia era uma maratona, liderada pelos profissionais de saúde, e volto a reafirmar: todos somos chamados a participar nesta prova, fazendo uma gestão responsável do nosso esforço, participando na corrida de forma segura e responsável, para que quem está na linha da frente possa fazer o seu trabalho de forma segura!

Aguardar pela convocação para a vacinação com serenidade, cumprir as medidas de proteção individual, manter o distanciamento social, colaborar para a literacia em saúde através da partilha de informações corretas e fidedignas, deve ser um desígnio de todos nós!

Por fim, uma palavra de alento e de louvor a todos os profissionais de saúde! Obrigada pelo Vosso trabalho, obrigada pelo Vosso profissionalismo, obrigada pela Vossa dedicação!