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Artigo de Opinião

10/06/2024 08:00

Nas eleições regionais dos Açores em 2020, apesar do PS ter sido o partido mais votado, foi o PSD que formou um governo (olá Costa), de coligação com o CDS-PP e o PPM, com o apoio parlamentar do Chega e da Iniciativa Liberal. Não foi uma legislatura fácil para José Manuel Bolieiro, mas que, apesar dos amuos destes dois últimos, a verdade é que chegou quase ao fim da legislatura. Após as eleições de fevereiro deste ano, a AD venceu nos Açores, o que não acontecia desde 1992, apesar de falhar a maioria absoluta. Resultado: temos um governo minoritário, de coligação, obrigado a negociar com os restantes partidos na assembleia regional para poder governar.

Na República, como todos sabemos, das eleições de 2022, saiu um governo de maioria absoluta para o PS de António Costa. Não vou abordar todos os disparates que se sucederam e que culminaram do disparate-mor do Presidente da República, ao dissolver uma maioria parlamentar sem hipótese de apresentar nova solução governativa. Resultado: a AD ganha as eleições nacionais, mas muito longe de uma maioria absoluta, vendo-se obrigada a negociar com o partido que mais cresceu, o Chega, e eventualmente o PS em matérias mais sensíveis. Um cenário absolutamente imprevisível e que poucos acreditam que realmente chegue ao fim da legislatura.

Por fim, chegamos à Madeira. Em setembro último, a Coligação PSD/CDS venceu em toda a linha as eleições regionais, ficando a um deputado da maioria “estável”, resolvido com o apoio parlamentar do PAN. Até lá, vivemos o primeiro governo regional de coligação na Madeira que, testado como nunca nenhum outro governo foi testado antes, atravessando uma pandemia de saúde pública com impacto diabólico na economia, e logo a seguir um aumento brutal do custo de vida face às guerras na Europa e respetivos constrangimentos de produção e distribuição de matérias-primas e ao aumento das taxas de juro financeiras, saiu com nota extremamente positiva e números recordes nos mercados mais importantes da economia regional. Porém, as suspeitas de ilícitos criminais alegadamente praticados por altas patentes regionais, levaram à demissão do presidente do governo, à ausência de uma solução alternativa de continuidade e ao fim da coligação. Perante este cenário, onde emergiram os ‘anti’, o Presidente da República deu o terceiro tiro da estabilidade nacional e levou-nos às eleições do passado mês de maio.

Tal como nos Açores e na República, a solução que emergiu dos resultados eleitorais é uma solução minoritária que, sendo realista, não garante, logo à partida, uma estabilidade governativa para toda a legislatura. Mas já lá vamos. O PSD de Miguel Albuquerque é, para mim, o principal vencedor destas eleições. Depois de quase 5 décadas de governação e sofrendo de um natural desgaste, com o seu líder constituído arguido em processo de inquérito judicial, e visivelmente fraturado internamente, a verdade é que não só vence as eleições, como alcança mais de 49 mil votos, deixando o segundo partido mais votado a 20 mil votos de distância. E este é o principal derrotado da noite. O PS de Paulo Cafofo e Miguel Iglésias alcança apenas mais 137 votos que em setembro de 2023, mostrando que hoje, o “Paulo” vale praticamente o mesmo que o despachado Sérgio, e que, por muita retórica e maquilhagem que queiram colocar, não é alternativa de governação na Região.

O crescimento da JPP torna-o noutro vencedor da noite. Porém, é bom não esquecer 2 ou 3 pormenores: na Madeira a JPP é o tampão do Chega, que não existe no resto do país. Por outro lado, trata-se de resultados que beneficiam de uma determinada conjuntura, no caso a fracturação do PSD e a fraqueza do PS. Que o digam o BE e o PCP. O que significa que não são votos conquistados, mas votos aproveitados. Que podem ter colocado em risco com o ato de tentativa de salvamento do pescoço do Paulo. A sua maturidade enquanto partido será testada agora, se se mantém como partido do protesto ou partido a confiar.

Por fim, o CDS. Não havia quem não vaticinasse a sua morte. Que ia desaparecer. Que ia pagar a fava de ter “dado a mão” ao PSD em 2019. De “ter desaparecido na coligação”. Entre outros adjetivos menos abonatórios. A verdade é que nada disso se passou. Manteve o seu grupo parlamentar e ficou a pouco mais de 1700 votos do terceiro. Mesmo padecendo de má publicidade, a verdade é que foi reconhecido pela população que o CDS foi um garante de estabilidade governativa na região nos últimos anos. Que foi reconhecida qualidade e competência nos seus quadros no exercício das suas responsabilidades. E que pretendem que o CDS continue a pautar-se por esses mesmos valores e a ter influência nos destinos da Região.

Como comecei por dizer, a atual realidade regional assenta em acordos parlamentares. Que, como o tempo ensina, são sempre frágeis e dependentes da responsabilidade de cada uma das forças em causa. É agora que iremos ver e posteriormente analisar tudo aquilo a que os partidos eleitos se propõem. Se irão, de facto, procurar o bem comum, negociando com clareza e boa-fé e no interesse comum, ou se irá prevalecer a mesquinhice, o interesse partidário ou o interesse pessoal.

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