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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

15/10/2023 08:00

"Agora desaparecerão as palavras", é um livro do escritor, com 64 anos, vencedor do prémio Nobel da literatura no ano de 2023, devido a obras teatrais e prosa inovadora que dá voz ao indizível.

A sua obra abraça uma variedade de géneros e é constituída por uma riqueza de obras

teatrais, romances, poesias, estudos, livros para crianças e traduções, escreveu o que lhe concedeu o prémio Nobel. Apesar da variedade de géneros, aprecia-se não só a escritura, mas a agilidade desta a cada coisa: é como se o autor levasse na sua escrita, nas suas palavras, qualquer coisa de inefável, com a capacidade de dizer aquilo que é o indizível, que é o mesmo princípio na base da poesia e da religião.

No ano de 2021, o escritor converteu-se ao catolicismo e isto, inevitavelmente, se reflete na sua obra. Escreve: "Sinto que nos meus escritos há uma espécie de reconciliação, ou para usar a palavra católica ou cristã, de paz". Palavras numa conversa com o New Yorker.

O escritor nasceu no ano de 1959 em Hangesund, uma pequena cidade na costa ocidental da Noruega, cresceu em Strendebarm, junto ao esplendoroso fiorde de Hardanger, um lugar em que a presença da religião é na maior parte protestante.

Nos seus livros aparece muitas vezes o tema comum de Deus e da fé. No jornal New Yorker escreve: "A propósito das palavras que não vão desparecer", a palavra é o espírito de Deus, existe em tudo, Deus existe, mas é muito afastado e de todo próximo, porque está presente em cada um dos seres humanos". No livro "Settologia", descreve um pintor de nome Asla, convertido ao catolicismo, de luto pela morte da sua esposa, que perdeu os sentidos numa viela de Bergen, morto envenenado pelo álcool. As suas recordações multiplicam-se, repetem-se gradualmente e confundem-se numa só voz, a consciência difere na forma de encontrar-se em muitos tempos e muitos lugares ao mesmo tempo.

Ao jornalista do New Yorker diz: "Se és um verdadeiro crente, não acreditas nos dogmas e nas instituições religiosas. Se Deus é uma realidade para ti, acredita num nível mais alto. Mas isto não significa que os dogmas e as instituições religiosas não sejam necessários. Se o mistério da fé sobreviveu durante dois mil anos, é porque a Igreja se tornou uma instituição. É necessária uma espécie de compreensão. No mundo em que vivemos, sinto que os poderes económicos são tão fortes. São eles que comandam tudo. Há forças que estão da outra parte, e a Igreja é uma delas. Para que a Igreja exista, e a Igreja Católica é a mais forte, é preciso de qualquer maneira forçar o catolicismo. A Igreja é a instituição mais forte, a mais importante, a meu ver vem da teologia anticapitalista. A literatura e a arte são uma outra instituição, mas não são tão fortes como as Igrejas."

Jon Fosse é um escritor prolixo e poliedro, é uma das vozes mais autorizadas e significativas da dramaturgia contemporânea, comparado a Henrik Ibsen; o seu primeiro livro foi publicado em 1983 e a obra teatral em 1994. Foi um dos consultores literários da Bíblia numa tradução norueguesa, as suas obras estão traduzidas em mais de 40 línguas, é considerado um dos mais importantes escritores contemporâneos.

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