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Artigo de Opinião

7/06/2024 08:00

No momento em que escrevo estas linhas, vive-se uma espécie de Dia D da política madeirense.

Tal como há 80 anos, em que o futuro da Europa e do mundo estava em grande parte depositado nas botas e no cano dos 150 mil soldados que desembarcaram no noroeste de França, também uma fatia importante do nosso futuro coletivo insular está nas mãos dos 47 deputados que tomaram posse na manhã de ontem, e nos 8 governantes empossados pela tarde.

A Madeira vive o momento político mais desafiante desde a génese da Autonomia Regional. Miguel Albuquerque conseguiu renovar a validação partidária e popular, e está legitimado politicamente para iniciar uma nova governação. Que para si será uma continuidade. Essa tem sido a postura desde que a ação do DCIAP (já agora? o DIAP- Funchal já fechou, dados os sucessivos atestados de menoridade sofridos?) abalou as estruturas institucionais da Região, mesmo quando pensou afastar-se: tentar ultrapassar a turbulência judicial e institucional com sinais de continuidade na governação. Daí ter-se oposto à dissolução da ALRAM, e será essa a mesma razão que o levou a reconduzir a totalidade do executivo afeto ao PSD. O desafio passa por viabilizar a governação. Até à discussão do programa de governo terá de convencer o CHEGA a abster-se. Não é fácil, dado tratar-se de um partido sem qualquer autonomia regional (partidária), nem respeito pela Autonomia Regional (com maiúsculas, a nossa semi-autodeterminação) pelo que estamos dependentes das conveniências pessoais de André Ventura. É evidente que o que está em causa não é a abertura de um gabinete para fiscalizar a corrupção, até porque na administração pública regional já há muito existem esses mecanismos. Não é por haver mais um gabinete (não era o CHEGA que se dizia contra mais “tachos”?), redundante ao mecanismo que já existe, que existirão, ou não, ilicitudes. Mas é possível que Ventura repita o número circense de dizer uma coisa em público (chumbar o programa de governo) e outra aos seus deputados (abster-se). Já na eleição para a presidência da Assembleia da República afirmou publicamente que ia votar em Aguiar Branco e por trás instruiu as suas 49 ovelhas a inviabilizar.

Nesse contexto, também na ALRAM tivemos, e pela primeira vez, turbulência na eleição da primeira figura da Região. Mas pelo menos provou-se que o acordo PS-JPP continua válido, ao contrário do que havia afirmado Élvio Sousa. Votaram concertados contra o presidente que ainda há uma semana convidaram para esse mesmo lugar!! É evidente que a manobra dos verdinhos, de (re) negar publicamente o acordo, deveu-se à reação generalizada de repúdio da população, e que gerou piada nacional. Mas que serviu para perceber que a retórica do partido de Gaula é apenas isso. Retórica. À primeira (meia) oportunidade, não hesitaram em tentar atacar o pote!

Mesmo com um parceiro de quem disseram cobras e lagartos, a quem já acusaram de comprar votos, nos tempos da CMF, e sem uma base mínima de sustentação e credibilidade, que se resumem a 20 mandatos. Além de que, segundo Élvio, Cafôfo não lhe terá reportado o convite a José Manuel Rodrigues para presidente da ALRAM. Será que não sabia (o que é grave) ou é mais uma dissimulação para enganar o eleitorado (mais grave)? O Plano de PS e JPP é outro. Eles sabiam que o Representante da República iria convidar Albuquerque a formar governo. A expectativa destes é que o programa do PSD seja chumbado, e que o Juiz Ireneu Barreto os convide como segunda solução. Esse é o plano desde a assinatura do acordo. “Mas para quê”, pergunta o caro leitor, “se é certo que as outras forças políticas de direita também chumbarão o programa da geringonça PS-JPP?” Porque dessa forma ficaria Cafôfo como presidente do governo em gestão, até novas eleições, nunca antes do início de 2025. Já imaginaram? 6 meses com Cafôfo e Élvio a oferecerem tudo a toda a gente, para garantirem a vitória? Se circular de carro aconselho a fechar o vidro, ou habilita-se a que entre pela janela adentro um eletrodoméstico ou um cabaz de alimentos, cortesia do governo PS-JPP, que será celebrizado como “Juntos Pelo Poder”! Claro que o senhor Representante da República não pode alinhar com jogadas rasteiras desta vez! A grande questão do futuro, no entanto, não é o de saber quantas vidas mais terá Albuquerque (e este é um exercício interessante de se fazer), mas quantas mais derrotas aguenta Paulo Cafôfo (depois das Europeias, Regionais e Legislativas em 2019, Autárquicas 2021, Legislativas 2022, Regionais 2023, Legislativas, Regionais e, inevitavelmente, Europeias em 2024)!

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