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Artigo de Opinião

Economista

29/05/2024 20:43

Nas últimas eleições, a Região Autónoma da Madeira assistiu a uma mudança sísmica no seu panorama político. O PSD-Madeira, o bastião de longa data da Autonomia da Região, perdeu a sua maioria absoluta. Esta mudança política tectónica anuncia não um novo amanhecer, mas um crepúsculo sombrio para a Autonomia Política e a estabilidade económica da Região. O caos que se seguirá promete mergulhar a Região num abismo de lutas políticas internas, derrapagens orçamentais, guerras parlamentares de ego, bloqueio da iniciativa privada, o fim do CINM, ao mesmo tempo que a sombra, sempre presente, da vontade colonial de Lisboa se torna mais evidente.

Durante décadas, o PSD-Madeira foi a vanguarda da Autonomia regional, defendendo o direito da Região à auto governação, e ao aprofundamento da mesma, perante Lisboa. A sua recente derrota eleitoral, no entanto, deixa a atuação da ALRAM fraturada e abúlica, vítima das maquinações dos partidos que respondem aos ditames coloniais de Lisboa. O objetivo? Lançar a Madeira num pântano económico tão profundo que apagará a chama da autonómica no quadro constitucional português — que não haja ilusões sobre isto!!!

Entram os novos actores desta tragicomédia: os partidos da Oposição que se submetem à vontade de Lisboa e o JPP, um partido cuja relevância política nasce das profundas frustrações dos antigos residentes do Funchal e seus descendentes, hoje “expulsos” e “exilados” na freguesia do Caniço. Estes Madeirenses suportam um calvário diário de deslocações infernais para o Funchal, um lembrete claro da falta de hinterland económico que assola o município de Santa Cruz. Esta mistura explosiva de negligência e frustração deu origem a uma entidade política mais interessada em canalizar o descontentamento local (que apenas pode ser aplacada por um suposto ferry e pedidos de documentação em tribunal), do que em criar um futuro viável para a Região. Recorde-se ainda que o JPP apesar de ser um partido de jure nacional é de facto regional e como tal inconstitucional no espírito da Constituição da República Portuguesa.

Nesta mistura volátil, o papel dos quadros do PSD-Madeira, que integram o atual aparelho governamental, não poderão ser subestimados. Estes indivíduos, leais ao seu partido e ao seu legado, estão preparados para não facilitar qualquer iniciativa de um governo da oposição que vá contra o acquis autonómico. A sua lealdade para com a causa autonómica é profunda e não hesitarão em lançar areia nas engrenagens da governação sempre que aquela esteja em causa.

O cinquentenário da Autonomia, que deverá ser um momento de celebração, é agora um marco sombrio que marca o princípio do fim (?) da Autonomia Político-Admnistrativa madeirense. Se o PSD-Madeira não sofrer uma rápida e profunda regeneração, estes cinquenta anos de Autonomia ficarão registados na história não como um triunfo, mas como o prelúdio de um desastre. Os riscos não poderiam ser maiores. Os governos minoritários podem ser um luxo das democracias ricas, onde as economias robustas e as infra-estruturas estáveis podem absorver os choques da indecisão política. No entanto, para uma pequena economia insular, e ultraperiférica, como a RAM, são uma aposta perigosa. A Região não se pode permitir à paralisia e à ineficiência que advêm de um parlamento fragmentado e de um governo em guerra consigo próprio.

A queda profética da Autonomia da Região parece quase inevitável, sendo um testemunho sombrio do fracasso da governação regional sob a influência sufocante da teia colonial de Lisboa sobre os partidos da Região e seus apparatchiks. É uma chamada de atenção para que o PSD-Madeira se reinvente com renovado vigor e visão ou assista à lenta e dolorosa erosão de tudo o que lutou para construir nas últimas cinco décadas.

Os sinais estão à vista de todos. A descida da RAM ao caos político e económico não é uma questão de “se”, mas de “quando”. Os verdadeiros Autonomistas da Região têm de estar à altura da ocasião, ou a história recordará este período como o fim trágico de uma Autonomia que já foi tão promissora. O tempo está a passar e o destino da RAM está em jogo.

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