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Artigo de Opinião

Professor

3/06/2024 08:00

Todos percebemos como chegámos até aqui, mas ninguém parece ter certezas de como vamos sair desta situação política. E quais serão as consequências para o povo da Madeira. Sabemos que governar durante meio século provoca imenso desgaste. Que, numa região pequena e isolada, a mesma cor política pode perdurar, mas acaba sempre por promover estragos no partido dominante, também na oposição. O PSD/Madeira é uma história de sucesso raramente comparável. Um feito histórico que, queiramos ou não, tem um nome: Alberto João Jardim. E tem a fase recente de desagregação, de declínio eleitoral, associada a Miguel Albuquerque. Não há como negar.

Há quem defenda que Miguel Albuquerque foi a melhor escolha e que a sua liderança tem retardado a queda do PSD num abismo mais precipitado. Todas as opiniões são válidas e não há como provar o contrário. Julgo até que, como líder do governo, poucos fariam melhor. Mas o busílis tem sido a liderança do partido. Albuquerque, com a apregoada renovação, fez questão de mudar o PSD, num corte abrupto, e isso teve um efeito perturbador. Por não ter tido a capacidade de juntar as várias fações. Por ter sobrevalorizado os que se empenharam na sua candidatura interna, facilitando-lhes até hoje o mando das estruturas concelhias. Numa atitude de sobranceria escusada, convencido de que a sua valia pessoal era suficiente para manter o partido na ribalta. Equívoco desnecessário. Perdeu muitos dos seus e precipitou-se, em último recurso, nos braços de quem toda a vida atacou o poder regional. Pensou que, assim, estava tudo bem, para si e para o PSD. As suspeitas judiciais, fundadas ou infundadas, fizeram o resto e o resultado está à vista.

Mesmo assim, analisando o desfecho destas eleições e as circunstâncias que envolveram a liderança, há uma conclusão evidente. O PSD continua a ser o partido preferido dos madeirenses e, se não fosse a teimosia do candidato, não seria difícil continuar a lutar por maiorias absolutas para governar a Madeira.

Tudo isso coadjuvado pelo facto de não haver uma alternativa política clara para governar a Região. O PS é aquela desgraça que se vê. Um partido sem rumo que continua estilhaçado por dentro, sofrendo ainda dos pecados originais. De não ter abraçado convictamente as causas da Autonomia da Madeira. De ter permitido transformar-se num albergue para extremistas que pululavam na esquerda do PREC e que depois saltaram para o PS, sem nunca terem renegado o radicalismo primitivo.

Restando aos madeirenses, para além dos dois partidos charneira, a aventura do populismo. E aqui, na Madeira, até há duas boas notícias. Primeira, o Chega congelou. Ficou-se pelos mesmos quatro deputados, quando tudo fazia antever um crescimento exponencial. Não foi pela melhor das razões. Quem travou o crescimento do Chega foi o JPP, um outro partido populista. Mas valha-nos isso, porque, mesmo assim, há populismos melhores do que outros. Se os madeirenses quiserem apostar no populismo verde, endógeno, nado e criado na autarquia de Santa Cruz e com isso afastarem do parlamento, segunda boa notícia, o radicalismo de esquerda que tresandava a demagogia bafienta e, ao mesmo tempo, romperem o insuflado balão da direita radical, estamos perante um mal menor. O JPP acabou por fazer um bom serviço à política da Região.

Mas chegados aqui, o que fazer? Como é que vamos sair desta? Quem vai sair desta? Será preciso começar a pensar em novas eleições? E resolve?

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