O presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos afirmou, este sábado, que não há “risco iminente” associado à derrocada ocorrida na madrugada de sexta-feira no Curral das Freiras, mas garantiu que a situação será monitorizada de forma contínua nos próximos tempos.
Em declarações no local, no âmbito de uma visita técnica à zona afetada, Celso Bettencourt sublinhou que o movimento de terras registado “não era esperado”, embora tenha admitido que já existiam sinais prévios, como o desprendimento de uma pedra de grandes dimensões ocorrido há cerca de um mês.
O autarca destacou a dimensão do deslizamento, visível a partir do centro da freguesia, defendendo a necessidade de acompanhamento técnico para avaliar a evolução do fenómeno. Nesse sentido, indicou que será feita monitorização ao longo da próxima semana, aguardando-se também o parecer do Laboratório Regional de Engenharia Civil para definição de medidas.
Relativamente à habitação evacuada por precaução, o presidente da autarquia explicou que a decisão foi tomada por responsabilidade, apesar de não existir, para já, confirmação de perigo direto. “Seria uma irresponsabilidade deixarmos lá aquela família”, afirmou, acrescentando que o risco futuro na área ainda é incerto.
Celso Bettencourt garantiu ainda que, neste momento, não há indicação de perigo para a estrada ou outras zonas adjacentes, apelando a que não se gere alarme desnecessário junto da população.
No terreno, os técnicos envolvidos no acompanhamento da situação explicaram que o processo de monitorização será feito em diferentes fases, começando pela identificação de eventuais zonas mais instáveis, como fendas ativas, podendo estender-se por um período prolongado, até cerca de um ano.
As autoridades apelam também à colaboração da população local, no sentido de reportar quaisquer sinais de instabilidade, como fissuras ou alterações nas habitações, que possam indicar evolução do terreno.
Ainda antes de uma visita ao local, a presidente da Junta de Freguesia do Curral das Freiras, Dina Silva, referiu que na próxima semana irá reunir com moradores da zona. O intuito é ouvir a população e alertar para algumas situações relacionadas com fendas, pequenos deslizamentos de terra ou desprendimento de pedras.
A ocorrência, que levou à retirada preventiva de uma família e mobilizou meios municipais e de proteção civil, continua assim sob acompanhamento, com as entidades a privilegiar uma resposta cautelosa e baseada na avaliação técnica.