O Irão avisou hoje que qualquer ataque dos Estados Unidos, incluindo um “ataque limitado”, o levará a responder “com força”, depois de o Presidente norte-americano ter evocado essa possibilidade no caso de fracassarem as negociações com Teerão.
Donald Trump ordenou um destacamento naval e aéreo maciço no Médio Oriente e Teerão tem reiterado estar preparado para responder a qualquer intervenção militar norte-americana.
“Relativamente à primeira questão sobre um ataque limitado, não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão”, declarou hoje o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghai, numa conferência de imprensa, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP).
O responsável reagia às declarações de Trump, que afirmou na sexta-feira estar a “ponderar” um ataque limitado contra o Irão caso o país não conclua rapidamente um acordo nuclear com os Estados Unidos.
“Qualquer Estado reagiria com força a um ato de agressão, ao abrigo do seu direito inerente à legítima defesa, e é isso que faremos”, sublinhou Baghai.
“Tudo o que posso dizer é que estou a ponderar”, respondeu laconicamente Trump à pergunta colocada pela imprensa: “Está a ponderar um ataque limitado se o Irão não concluir um acordo?”
Os dois países realizaram a 17 deste mês, na Suíça, uma segunda sessão de negociações indiretas, através de mediação de Omã, num contexto de tensões acrescidas na região, para onde Washington enviou dois porta-aviões.
Novas conversações, confirmadas pelo Irão e por Omã, mas não pelos Estados Unidos até ao momento, estão previstas para quinta-feira.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, lidera as negociações pelo lado iraniano, enquanto os Estados Unidos estão representados pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner.
Trump questiona-se por que razão o Irão ainda não “capitulou” perante este imponente destacamento militar, declarou Witkoff numa entrevista à cadeia norte-americana Fox News, realizada na quinta-feira e transmitida no sábado. Hoje, Baghai afirmou que os iranianos sempre recusaram capitular ao longo da sua história.
O Presidente norte-americano indicou na quinta-feira ter fixado um prazo de “10 a 15 dias” para decidir se recorre ou não à força contra Teerão.
Apesar do novo aviso, Araghchi considerou no domingo que existem “boas hipóteses de alcançar uma solução diplomática em moldes mutuamente vantajosos”.
“Prosseguimos as negociações, ao mesmo tempo que trabalhamos nos elementos de um acordo e numa primeira versão do texto”, declarou o ministro iraniano, indicando que Teerão vai apresentar aos mediadores uma proposta de acordo nos próximos dias.
As anteriores discussões entre os dois países, também indiretas, foram abruptamente interrompidas em junho de 2025 pela guerra desencadeada por Israel contra o Irão, à qual os Estados Unidos se associaram.
Trump assegurou então ter “aniquilado” o programa nuclear iraniano nesses bombardeamentos, embora a extensão exata dos danos não seja conhecida.
Os países ocidentais receiam que Teerão venha a dotar-se da bomba atómica, enquanto o Irão garante que pretende apenas desenvolver o seu programa nuclear civil.
Estas novas tensões entre Washington e Teerão surgiram após a repressão de um vasto movimento de contestação no Irão. Donald Trump prometeu então prestar “apoio” ao povo iraniano.
Pela primeira vez desde esses protestos, ouviram-se novamente nos últimos dias, em várias cidades iranianas, palavras de ordem apelando à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, apelou hoje a uma “solução diplomática”, numa altura em que o Irão “se encontra no ponto mais fraco de sempre”.
O receio de uma eventual intervenção militar norte-americana no Irão levou vários países a exortar os seus cidadãos a abandonarem o país, como a Índia, que anunciou hoje essa decisão.