Pedro Penim apresentou a primeira peça enquanto diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, no Funchal. "Casa Portuguesa" abarca o colonialismo, a guerra, o pater famílias e as identidades LGBTQ, e constitui-se enquanto gesto de afirmação e pré-revelação da forma como o Penim pretende reconfigurar o Teatro Nacional.
O espetáculo contou com casa cheia no Teatro Municipal Baltazar Dias e marca uma das iniciativas do projeto Odisseia Nacional com o apoio da Câmara Municipal do Funchal. Depois de já ter passado pelas regiões Norte e Centro do país e pelo Arquipélago dos Açores, o D. Maria chegou ao Funchal, com várias iniciativas. Além do espetáculo que aconteceu no dia de ontem e da formação para agentes culturais que decorreu durante toda a semana, decorre ainda a exposição "Quem és tu? - Um teatro nacional a olhar para o país" com a curadoria de Tiago Bartolomeu Costa, que estará patente no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias, até o dia 30 de setembro. Além disso, decorre o projeto comunitário "Solo" numa parceria com a Associação Olho.te e que pretende ser um processo de envolvimento e relação com o território, com o objetivo de criar uma ligação entre as pessoas, as estruturas e as arquiteturas que definem o lugar que se habita. As apresentações públicas irão acontecer no dia 29 e 30 de setembro no Bairro da Nazaré.
Voltando ao espetáculo "Casa Portuguesa", contou a história ficcional de um ex-combatente na guerra pela independência de Moçambique, interpretado por João Lagarto, que de alguma forma centraliza muita da informação do espetáculo. Segundo Pedro Penim, "é a história dele, já no fim da vida, a convocar vários fantasmas, não só de figuras do seu passado e do seu presente, mas fantasmas também no sentido de ideias, de estruturas de poder, que vão aparecendo nesta ficção. A convocação de fantasmas da personagem de João Lagarto é uma forma metafórica de olhar a História de Portugal nos últimos 50 anos, fazendo essa relação com as estruturas de poder, neste caso, a figura paternal, a estrutura da família e o Fado também".
Esta foi a última apresentação do espetáculo "Casa Portuguesa" nesta primeira digressão.