Que Alegria... Vamos para a Casa do Senhor

Os Salmos das Ascensões eram cantados ou recitados quando os peregrinos, judeus ou cristãos, subiam a Jerusalém. Subir é a palavra correta para esta subida geográfica de 754 metros desde o nível do Mar Mediterrâneo e 1.000 do nível do Mar Morto.

A ascensão mais do que física era principalmente espiritual.  Os pais de Jesus, que subiam todos os anos à cidade santa pela Páscoa, recitavam ou cantavam estes salmos que deveriam já saber de cor. (Luc. 2,41).

São João, no seu evangelho, escreve que, Jesus esteve ao menos, duas vezes pela Páscoa em Jerusalém, depois por uma ascensão não especificada, outra ocasião pela Festa das Tendas. Jesus rezava estes Salmos, não só nestas ocasiões, mas sempre que entrava em Jerusalém, porque elas estavam no íntimo do seu coração.

O Salmo 122-121 é uma oração em forma de diálogo, o peregrino fala para si mesmo. O Salmo é uma explicação da ajuda do Senhor ao fiel que o recita, e começa uma viagem com confiança, pedindo o dom da Paz. “Que alegria quando me disseram, vamos para a Casa do Senhor” os nossos passos se detêm às tuas portas, Jerusalém.”

Todo o Salmo é uma explicação da ajuda que o Senhor dará ao peregrino que iniciou uma viagem com confiança, pedindo a paz. Este Salmo é diferente dos outros de subida ou ascensão, é uma oração recitada para o início da viagem. O salmista ou o peregrino ao iniciar a viagem, olha para o alto, para os montes, pedindo auxílio, ele deixa a sua casa, a sua terra, com o desejo de encontrar a paz, que é um desejo de Deus, da sua palavra, da sua proximidade.

O Senhor é o guardião de Israel, ele protegeu os seus antepassados. Ele não os esqueceu nem adormeceu aos seus pedidos. Como Peregrino, o Salmista confia que não sofrerá danos, nem de dia da parte do sol, nem de noite da parte da lua, ele procura a paz.

O Salmista descreve a cidade: “Jerusalém edificada, cidade bela e harmoniosa, para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor. Segundo o costume de Israel para celebrar o nome do Senhor. Ali estão os tribunais da justiça, dentro da casa de Israel.”

Jerusalém é descrita como cidade bela, com as partes bem unidas e compactas que lhe conferem harmonia, e corresponde à unidade de um povo que foi amado e educado por Deus, para ser pacífico e amigo da alegria que é evocada no início do Salmo.

Jerusalém é um testemunho para Israel, escrito pelo dedo de Deus no Sinai em duas tábuas de pedra, conservadas na Arca Aliança.

O peregrino, como aconteceu com a família santa de Nazaré, é convidado a orar pela paz. “Pedi a paz para Jerusalém, vivam seguros quantos te amam. Haja paz dentro dos teus muros, em teus palácios tranquilidade.”

Orar pela paz, é o próprio nome da cidade, em hebraico, SHALOM, significa tranquilidade, que é a fonte da alegria, para os seus habitantes, palácios e

para todos os peregrinos que a visitam. Shalom é uma palavra rica de conteúdos, pode significar as relações entre pessoas e grupos, a justiça com verdade, a ausência de perigos, a bondade, a segurança, o repouso, a serenidade.

Junto mais umas reflexões espirituais para o grupo de peregrinos que, este ano, subirão comigo a Jerusalém. Como nos salmos de subida, a peregrinação é iniciada pelo desejo de paz, da conversão, de qualquer mudança, é uma subida interior porque, na prática, vamos encontrar pessoas de religiões diversas e, até, sem religião.

Jesus apresenta a todos, o mandamento do amor de Deus e dos irmãos, vamos ser acompanhados por Maria de Nazaré, mesmo que alguns peregrinos vão apenas para “contar as torres de Sião,” nós, vamos também preparados para uma subida interior.