Delegação ecuménica reuniu-se com a Presidência Portuguesa da União Europeia

Uma delegação ecuménica, com representantes da Comissão dos Episcopados União Europeia (COMECE) e da Conferência Europeia de Igrejas (CEC), foi recebida hoje em Lisboa pelo ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Nuno Brás, delegado da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) na COMECE, explicou que apresentaram as “grandes preocupações” da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia e a situação na Província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

O bispo do Funchal acrescentou que o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, destacou a “complexidade da situação” no país lusófono e que quer por parte do governo português, quer por parte da UE “existe vontade de não deixar cai o assunto e de não cair em soluções fáceis”.

“A solução também há de ser complexa e com muitas facetas, não apenas militar mas também humanitária e de segurança das populações e sempre de acordo com o governo moçambicano”, acrescentou, no final do encontro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

D. Nuno Brás destacou que a CEP tem estado “muita atenta há várias anos” à realidade em Cabo Delgado, “mesmo que depois não tenha saído para os media”, e o apoio tem-se concretizado, por exemplo, através das “renúncias quaresmais para a Diocese de Pemba”, a nível material, e em também “não deixar cair o assunto”.

“Trata-se não apenas de resolver os ataques terroristas mas também todo o problema daquelas populações de ajudar a verem respeitada a sua dignidade e os seus valores”, realçou.

O presidente da COMECE, D. Jean-Claude Hollerich, explicou que conversaram sobre o “asilo de migrantes, o novo Acordo Verde Europeu, do pilar dos direitos sociais”, e da Conferência sobre o Futuro da Europa.

“Foi um diálogo positivo em que podemos construir para uma Europa mais próxima dos seus cidadãos, europeus abertos aos pobres e aos requerentes de asilo, por isso, estou realmente contente com este encontro”, acrescentou o arcebispo do Luxemburgo.

O presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia assinala que em Bruxelas estão em “constante diálogo” com “contributos para a política europeia” e “é muito importante” reunir com a presidência do Conselho da União Europeia.

No contexto do futuro da Europa, D. Jean-Claude Hollerich salientou que a Igreja Católica tem ideias e os ensinamentos do Papa Francisco que é preciso “colocar em prática”, nomeadamente as encíclicas ‘Laudato Si’ e ‘Fratelli Tutti’, e há políticos interessados, “querem falar sobre isso, e muitos precisam deste diálogo com a Igreja Católica”.

O presidente da CEC, reverendo Christian Krieger, explicou que deu destaque à participação das Igrejas na Conferência sobre o Futuro da Europa porque querem “participar em todos os níveis” e estão agradecidos pela iniciativa que “permitiu” uma participação também da sociedade civil e trabalhar num âmbito local e europeu, para além de “fazer uma apreciação positiva à Cimeira Social do Porto”.

“As Igrejas estão agradecidas com a presidência portuguesa pela questão social. Foi o tempo certo porque estamos a sair da pandemia e há questões sociais para todos os membros da União Europeia”, referiu em declarações à Agência ECCLESIA.

“Os políticos estão sob muita pressão de diferentes partes da sociedade, com fortes posições, e trazer posições de paz, justiça, reconciliação, com a visão de uma Europa democrática, solidária e hospitaleira é muito importante e ficam agradecidos por discutir isto connosco”, acrescentou o reverendo Christian Krieger.

O presidente do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC), D. Jorge Pina Cabral, também integrou a delegação ecuménica recebida hoje pelo ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.

O bispo da Igreja Lusitana adiantou que apresentaram para reflexão a situação das comunidades migrantes em Portugal, “um assunto de grande importância” por causa da “profunda fragilidade social, económica e de proteção”, e que foi de certo modo revelada por causa da pandemia Covid-19.

“Ao mesmo tempo, a nossa preocupação foi sublinhar a importância da preservação da liberdade religiosa para as Igrejas e para as religiões, como elemento central para o cumprimento dos direitos humanos; Sublinhamos a importância da cooperação entre cristãos de diversas Igrejas para a resolução de assuntos e dificuldades que a sociedade portuguesa está a passar”, desenvolveu D. Jorge Pina Cabral `*a Agência ECCLESIA.