Voluntariado, porquê?

No contexto actual da nossa sociedade, o voluntariado tem ganhado cada vez maior  importância. O conceito “voluntariado”, porém, está muito associado à ajuda humanitária num país em desenvolvimento ou a uma comunidade carenciada. Esta é, de facto, uma das formas de prestar trabalho voluntário, mas não é a única de o fazer. Podemos fazê-lo em inúmeras associações ou organizações sem fins lucrativos, a nível regional, nacional ou até internacional.

Todas as acções de voluntariado devem ter objectivos e metas que, através da dedicação de voluntários, uma determinada comunidade será beneficiada. É necessário, no entanto, entender que realizar voluntariado não se limita a amparar os outros ou a fazer uma boa acção, também traz benefícios ao próprio voluntário. O  voluntariado contribui para desenvolver várias competências no indivíduo que o pratica: académicas, pessoais e profissionais.

Vejamos o exemplo de uma vaga a um emprego à qual há dois candidatos. Um deles já prestou voluntariado e outro não, pelo que o primeiro terá uma clara vantagem para ser o escolhido. Porquê?

Primeiro, pelo simples facto de ter tido interesse e vontade de prestar serviço em regime de voluntariado num movimento associativo, tal levará o empregador a dá-lo com uma pessoa, a priori, de comprometimento com uma organização.

Segundo, está o desenvolvimento daquilo que os modelos empresariais chamam as soft skills dos seus colaboradores — cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho. Estas competências interpessoais, contrariamente ao conhecimento mais técnico e específico adquirido no percurso académico, são capacidades de comunicação, liderança, relacionamento interpessoal, criatividade, entre outras.

Terceiro, trata-se de uma oportunidade de educação não formal, pelo que há competências técnicas que são adquiridas ou desenvolvidas na sua realização.

Um voluntário poderá, ainda, viver novas experiências, através do contacto com novas realidades, meios, pessoas e tem a oportunidade de ganhar prática de trabalho em contexto real (algo que muitas vezes não acontece ao longo do percurso académico).

Finalmente, não nos podemos esquecer das componentes social e pessoal. O voluntariado cria laços com outras pessoas de várias esferas sociais, proporcionando amizades, eventuais parceiros de trabalho ou até leva a oportunidades que poderão desencadear uma grande mudança na vida do próprio voluntário.

O trabalho voluntário, como outros trabalhos, deve ser desenvolvido em algo que o indivíduo goste de fazer, mas é igualmente importante, que seja reconhecido e valorizado pela generalidade da população. Portugal ainda está muito aquém dessa valorização, quando comparado com outros estados-membros da UE.

Devemos defender o Voluntariado, de forma digna, sem abusos e com regras definidas, com direitos e deveres, semelhantemente aos de qualquer actividade laboral.

Eu e os meus colegas, somos voluntários comprometidos numa causa: apoiar e defender o Estudante.