Deixem-se de marquises/mariquices

O Cristiano Ronaldo aplicou as suas poupanças de semana e meia num apartamentozinho em Lisboa.

O mais caro de sempre no país. Mais precisamente no número 203 da Rua Castilho. Isto dá um ar de que sei perfeitamente onde fica, mas na verdade não faço a mínima ideia. Para me situarem, perguntaram-me se sabia onde era o parque Eduardo VII. Respondi que só de nome e que a fama não era a melhor. Tranquilizaram-me dizendo que a zona é boa. Na verdade, não duvido. Boa(s) zona(s) é com ele. Mas o que faz deste imóvel tão especial? Várias coisas. 1) É um duplex com 287 metros quadrados de área coberta e outros 260 de terraço. 2) Está inserido num prédio com apenas 19 apartamentos. 3) Tem piscina privativa. 4) Tem porteiro. 5) Tem segurança 24h por dia. 6) Tem estacionamento privado. 7) Tem vista 360° sobre a capital. Suponho que tenha elevador. Bem, não sei. Agora fiquei na dúvida. Mas isso também não é problema. Obcecado por exercício como o menino é, aposto que levava a Alana, o Mateo e a Eva ao colo, o Cristianinho às cavalitas e a Geo à cintura, da garagem ao 13.º andar em menos de 60 segundos. Estimo também que tenha casa de banho. Pelo menos sanita. É que, por mais bem preparado que esteja, se tiver que vir ao rés do chão cada vez que lhe der vontade de expulsar alguma coisa... Não vão haver pernas que aguentem!

Reparei que muita gente não se importou. Quanto muito invejou! Mas pronto. Passou à frente. Até o nosso menino se ter lembrado de fazer uma marquise. Pessoalmente não vejo grande mal. Tirando, como é óbvio, o facto de ser para fazer daquilo um ginásio. Lá em cima, juro que tudo o que eu menos quereria fazer era exercício físico. Mas eu sou eu. Ele é ele. As irmãs são as irmãs. E se, com o entornar do caldo, o melhor do mundo desatou a fazer flexões, já as manas soltaram a língua. Uma apelidou os críticos de “atrasados mentais”. Justo! Outra questionou: “será que nós, portugueses, te merecemos?”. Bem dito. Bendito. Louvado seja!

Por mim até pode deitar mais uma laje. Fazer um anexo. Um palheirinho. O diabo a 7. Estou a marimbar-me.

Deixem-se de marquises!

Por falar em projetos, sobe e desce, andares recuados e outros 500, o Clube Desportivo Nacional foi a votos... A curiosidade era grande, uma vez que nunca tinha aparecido uma lista B. Só por aí já valeu a pena. No dia da eleição, lembrou-me o meu tio, nacionalista de gema e com lugar cativo pré pandemia, que em tempos me tinha feito sócio alvi-negro. Juro que julguei que, entretanto, me tinham excluído por “esquecimento” de regularização de quotas! Mas não. Continuava inscrito! Curioso. Ou talvez não... Como são tão poucos, não se podem dar ao luxo de anular ninguém. Sou então sócio dos Uniões todos por obra e graça do meu pai. Do Nacional por iniciativa do meu tio. Do Benfica por culpa do Rui Costa, do João Vieira Pinto e do Mantorras. Do ACP porque sim. Da Associação Protetora dos Pobres por sempre ouvir a minha avó dizer que quem dá a estes, empresta a Deus. Da Worten porque a garantia fica associada ao cartão. Do Pingo Doce porque os miúdos querem os peluches (e a sogra o trem de cozinha) que só podem ser comprados com os selos. Da BP porque dá descontos no combustível. E do antigo De Borla porque me revia no nome. Ah, sou da Intimissimi também. Mas da parte da minha mulher. Sou assim. Uma Maria vai com todos. Mas voltando ao sufrágio do naufrágio, lá fui eu exercer o direito de escolher quem quero que desterre parte dos nossos impostos. Chegando lá cumprimentei quem conhecia. Pode não parecer, mas os meus pais esforçaram-se muito e tentaram educar-me!

Quando me aproximei do Eng Rui Alves, ouvi um “dá-lhe um beijo na boca” ... Juro que hesitei! Vontade não me faltava. Mas estava muita gente a ver e as recomendações da DGS continuam a ser no sentido de reduzir afectos. Olhei então à volta para ver quem era o/a corajoso(a). Não se acusaram. Enfim...

Deixem-se de mariquices!

O futebol é importante, mas não é tudo. Está bem que até pode parecer. Aceito que sim. Senão nunca se teria atribuído uma fase final da Champions aos profissionais de saúde em pleno mês de agosto de 2020 e se teria reforçado o prémio com a final, de há dias, da mais recente edição.

Para isso suas majestades não se importaram que Portugal estivesse no verde. Antes pelo contrário. Foram charters de “camones” como há muito não se via. Chegaram. Partiram tudo. E regressaram como se nada fosse! Por cá, ainda a apanhar os cacos, recebemos a boa nova. Como reconhecimento da nossa hospitalidade e constante disponibilidade para abrir as perninhas ao que vem de fora, passámos a figurar nos tons “âmbar”. Nada mais justo. Que cor merecem os agachados? Cor de pupu, pois claro.

Deixem-se de bullshits!