Que para o ano haja Dia da Criança

O Dia de Criança passou. Passou quase como se nada tivesse acontecido. Não é que nestes dias convencionados tenha de acontecer algo especial até porque, embora possa parecer um chavão, Dias como o da Criança devem acontecer sempre. Só que, como o Homem tem memória fraca é sempre conveniente dar-lhes um lembrete e dar aos mais pequenos um dia diferente. Passeio no parque. Diversão. Livros e cadernos substituídos por jogos ao ar livre, brincadeiras diferentes das de todos os dias. Este ano, porém, tudo foi diferente de outra forma. Nada de festividades. Abraços. Sem festas, com os pais a aplaudir as habilidade dos meninos.

Um medo que se apoderou do mundo vai para dois anos, fechou as portas à diversão. Abriu as portas a um “diferente” que começa a tornar-se habitual. Um habitual que, ninguém quer, de certeza absoluta, mas que tem, transformado mentalidades ao ponto de, muitos, já fazerem dele o se modo de estar como se nunca tivessem tido outro.

 

À conta de um ser microscópico que, vindo ainda se não sabe de onde, decidiu fazer parte das nossas vidas. Fazer parte não. Comandar. Impor. Modificar. Apoderar-se de cada um dos nossos actos, dos nossos gestos, dos nossos pensamentos até. Comandando cada hora das nossas vidas como se elas tivessem deixado de nos pertencer. E deixaram mesmo. Hoje as imposições nascidas da força desse ser microscópico são o nosso dia a dia. Acabaram as velhas rotinas, aprendidas ao longo de gerações, substituídas por “rotinas” que continuamente se alteram ao sabor das mudanças, das mutações, das “alianças” que um invisível vírus decide.

 

As nossas crianças estão a crescer rotinadas por essas transformações. Esperemos que tudo comece a mudar rapidamente para que essas não passem a ser as rotinas tornadas normais. Os mais pequenos merecem outro tipo de aprendizagem baseada no abraço. No convívio. Nas brincadeiras. Na partilha. Sem distanciamentos, sem máscaras a esconder sorrisos, sem tempo de afastamentos e ausências.

 

É preciso, pois, vencer o medo. Sermos nós, cada um de nós e todos, a lutar para derrotar o inimigo. Ele não é mais poderoso do que nós.

 

Para o próximo ano tem de haver Dia da Criança.

 

 

 

 

 

 

 

Os mais pequenos merecem outro tipo

de aprendizagem baseada no abraço.

No convívio.

Nas brincadeiras.

Na partilha.

 

Octaviano Correia escreve

ao sábado, de 4 em 4 semanas