A vida em 2021

Quando os dados dos ensaios clínicos das vacinas contra a COVID-19 começaram a ser tornados públicos e posteriormente as imagens das primeiras pessoas a serem vacinadas foram difundidas, inevitavelmente ocorreu um sentimento acrescido de esperança com o fim da pandemia. Digamos que, se a vacina era uma luz ao fundo do túnel, então essa luz passou a ser mais concreta... Mas vacinar biliões de pessoas em todo o mundo é uma das maiores operações da História, uma operação que é complexa e exige tempo, incluindo para se sentirem os seus efeitos de forma alargada. Até que se atinja a desejada imunidade de grupo, há ainda um caminho a percorrer e que exige responsabilidade, quer de indivíduos quer das instituições.

A agudização da situação pandémica neste início de ano veio entretanto mostrar que, não só a Região não é exceção nos efeitos da pandemia, como também, que continuaremos a conviver com a ameaça do vírus, a ter de encarar períodos difíceis (como é o caso do mês de janeiro, desde logo) e a lidar com um nível elevado de incerteza. Em 2021, portanto, as máscaras e a higienização das mãos e o evitamento de aglomerados e de locais fechados continuarão a ser necessários. E acima de tudo, o autocuidado e a capacidade de resiliência de cada um de nós serão essenciais, sobretudo numa fase de fadiga e em que esforços acumulados são mais difíceis. 

O facto de o processo de vacinação de toda a população ser complexo e exigir tempo significa que, no que se refere ao fim da pandemia e ao regresso a alguma normalidade - seja lá o que isso for no tempo pós-pandemia -, viveremos uma transição gradual. O regresso à normalidade não acontecerá da noite para o dia; mais do que um momento de tipo desligar ou ligar um interruptor, corresponderá mais a uma espécie de regulador progressivo de intensidade. Além de não ser certo que se retome a normalidade exatamente nos mesmos termos.

A realidade que enfrentamos hoje é exigente, é difícil, e sabemos que a pandemia terá implicações para além do momento em que se alcance a desejada imunidade de grupo. Isto envolve não só questões relacionadas com as perturbações psicológicas e com os efeitos da crise económica, mas também as competências que os indivíduos deverão desenvolver e as formas de funcionar que as organizações deverão ter para responderem aos desafios da vida e do mundo.

Estamos certamente a viver um período marcante da nossa história coletiva, uma história que, na verdade, é também de resiliência e de superação. Este início de ano é provavelmente uma boa ocasião para justamente nos recordarmos disso.