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Artigo de Opinião

Professor

11/03/2024 08:00

Se nada aconteceu de imprevisível, o PSD voltou a ganhar as eleições na Madeira. Ao escrever ainda sem resultados, com base nas sondagens, arrisco a dizer que a AD e a direita ganharam no País. O que viria comprovar, em Portugal, a tendência de declínio das políticas socialistas em toda a Europa. A lição mais evidente é a de que, após décadas de governação, a esquerda, onde é poder, continua a não ter soluções para os desafios do presente e do futuro dos cidadãos. Uma outra evidência é de que os governos socialistas, neste momento, lutam mais pela sua sobrevivência política do que pelo desenvolvimento do respetivo país. Note-se o que se passa em Espanha.

E é esta evidência que vem dar razão aos madeirenses por terem sempre acreditado no PSD para comandar os destinos da Região. O povo madeirense sente-se confortável porque construiu, ao longo das últimas décadas, com os governantes social-democratas, uma relação de confiança. Fator importante para a estabilidade política. E essa sensação de confiabilidade não pode ser quebrada sob pena de tudo se alterar em futuras eleições. Por isso, tudo depende do próprio PSD. Das suas estruturas internas, dos seus militantes, dos seus líderes, dos seus governantes. O povo madeirense sabe o que quer. Importante é que o PSD continue a dar provas de merecê-lo.

O que se está a passar no seio do PSD Madeira pode ainda não ter influenciado significativamente o resultado destas eleições. Os eleitores estiveram sobretudo focados em expulsar os socialistas do governo de Lisboa. Mas o clima de suspeição que vem minando o interior do partido poderá certamente romper a tal relação de confiança que os madeirenses há muito estabeleceram com o PSD Madeira.

O exame decisivo vai ter lugar já de seguida. Saberá o PSD Madeira ganhar o seu segundo maior confronto interno? O primeiro foi com a saída de Alberto João. Ganhou Miguel Albuquerque mas o PSD nunca mais foi o mesmo. Quebrou por dentro. A chamada renovação foi tão a sério que deixou o partido partido. Manteve-se no poder, mas obrigado a fazer cedências a parceiros de conveniência. Agora, depois da maré de suspeições, das demissões, das não demissões, vai haver oportunidade de tudo se clarificar. Cabe aos militantes do PSD, em primeira mão, porque depois deverá haver eleições regionais, clarificar toda a situação para que o partido continue a merecer a confiança dos madeirenses. A escolha não deve ser apenas sobre quem garante a continuidade dos benefícios de cada um. A escolha tem de ter em conta aquele que melhor garante a continuidade dos laços de confiança com os madeirenses.

O militante eleitor, nesta disputa interna, não pode deixar-se enfileirar. Tem de analisar as ocorrências recentes e pensar no futuro do partido e da Região. Tem de escolher entre um futuro que seja herdeiro dos valores deixados por Alberto João Jardim que estabeleceu um pacto com os madeirenses que dura há quase meio século, ou, por outro lado, um presente e passado recente atribulado, carregado de manchas que dificilmente os madeirenses esquecerão no momento de decidir.

O militante consciente tem ainda mais uma razão acrescida. Como poderá ele confiar numa direção partidária que dificulta, manifestamente e de forma descarada, o pagamento das quotas dos militantes que supõe adversários? Porque a vitória decisiva não é a das quotas. A vitória decisiva será a das eleições regionais se e quando vierem a acontecer.

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