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Artigo de Opinião

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10/04/2024 08:00

Segundo o dicionário Collins, Journaling pode ser definido como a prática de manter um diário, especialmente para exprimir os nossos pensamentos. Embora algumas pessoas associem a ideia de escrever um diário a adolescentes angustiados, esta é uma ferramenta prática bastante antiga.

Entre os exemplos mais conhecidos contam-se Meditações do imperador romano Marco Aurélio, os diários dos oficiais do governo britânico Samuel Pepys e John Evelyn, as reflexões da imperatriz russa Catarina, a Grande, o diário da Guerra Civil de Mary Chesnut e o diário de Anne Frank. Foram também publicados diários de figuras literárias como Virginia Woolf e Emerson, de líderes religiosos como o Papa João XXIII e de estadistas como George Washington, Winston Churchill e Thomas Jefferson. Já na década de 1960, o psicólogo Ira Progoff desenvolveu um sistema elaborado que tratava de diferentes aspetos da experiência do escritor e a partir da década de 1980, os psicólogos James Pennebaker e Joshua Smyth tornaram-se pioneiros no estudo científico da escrita como forma de aliviar o stress, prevenir ou melhorar doenças e melhorar a qualidade de vida. Numa perspetiva mais recente, a Harvard Business Review evidencia que a escrita pode reduzir o stress, a ansiedade e a depressão, melhorar o sono e o desempenho, trazer maior foco e clareza e até curar traumas.

A nível laboral, o Journaling surgiu como um instrumento para melhorar a carreira e o bem-estar ocupacional, dando resposta às crescentes taxas de stress e burnout. Segundo a Forbes, são 3 os benefícios do Journaling neste contexto: 1) Clareza e Concentração – fornece uma plataforma para articular objetivos, debater estratégias e definir prioridade, criando um roteiro que orienta as ações e evita que as distrações prejudiquem o progresso; 2) Autorreflexão – oferece um espaço para contemplar as realizações, contratempos e lições aprendidas; Inteligência Emocional – ao expressar pensamentos e emoções em privado aumenta a autoconsciência, melhorando a comunicação, empatia e resolução de conflitos, essenciais à liderança e colaboração eficazes.

Não havendo uma forma ideal de fazer Journaling, existem algumas recomendações. Escolha uma altura do dia em que possa tirar algum tempo sem distrações, para escrever os seus pensamentos. De manhã cedo, a meio do dia ou antes de ir para a cama podem ser boas alturas. Escolha uma ferramenta de escrita que lhe facilite a tarefa. Pode ser um pequeno livro que leva consigo para todo o lado, o seu telemóvel ou um tablet. Também pode obter algum apoio em Apps como a Journey®. Reserve, aproximadamente, 15 minutos para exprimir os seus pensamentos e sentimentos sem qualquer julgamento. Esqueça a ideia de redigir corretamente, escreva apenas. Finalmente, seja flexível e evite ser perfecionista.

Segundo Robin Sharma, autor do Best Seller O Monge que vendeu o seu Ferrari, escrever num diário recorda-lhe os seus objetivos e as suas aprendizagens de vida. Oferece um lugar onde pode manter uma conversa deliberada e ponderada consigo próprio. Nada melhor para quem procura sucesso e bem-estar. O Journaling provou ser uma prática transformadora e uma ferramenta acessível com amplos benefícios, pelo que deve considerar incorporá-lo na sua rotina para que a sua vida possa assumir novas dimensões de autorrealização.

Parafraseando a célebre ensaísta Susan Sontag: “No diário, não me exprimo apenas mais abertamente do que poderia fazer a qualquer pessoa; crio-me a mim própria.”

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