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Artigo de Opinião

Nutricionista

18/01/2021 08:00

Chegou aquela altura do ano de reflexão e de retoma de objetivos que deixamos para trás. E para muitos, esta é o mês escolhido para desintoxicar, fazer dieta e emagrecer.

Se o excesso de peso e obesidade já afetam tanto a nossa população, a ansiedade criada à volta deste tema, é igualmente preocupante.

Vemos muitas pessoas a procurar ajuda nutricional, nesta altura, como muitas a desistir do seu plano alimentar com a mesma facilidade com que iniciou, pouco tempo depois!

Por um lado, a pressão para recuperar o peso ganho no último mês do ano passado e para recuperar a forma é tanta que, por vezes, nos fazem optar por planos alimentares demasiado restritivos que ao fim de pouco nos fazem desmotivar.

Por outro, também temos a nova realidade de alimentos saudáveis e a exposição atual e constante de que toda a gente tem de comer sementes, quinoa, aveia, granolas e comida vegetariana. E é, nesta nova realidade, que me quero focar!

Tantas vezes me dizem: "Fazer dieta para comer erva?" ou então "Não sou passarinho para comer sementes!" ou ainda "Deus me livre que tirem a minha carne de vaca!" e "Prefiro ser gordo a comer papas de aveia!".

Mas quem disse que somos obrigados a comer tudo o que nos é apresentado como saudável?

O objetivo de um plano alimentar equilibrado, é consumir alimentos variados que nos forneçam todos os nutrientes, vitaminas, minerais e fito nutrientes que nos permitam viver com qualidade de vida e com saúde. Plano este que, ao mesmo tempo, deve ser sustentável ao longo da nossa vida.

Não quero ser mal-interpretada, mas, às vezes, parece que se alguém comer um bife com esparguete está a cometer um crime quando está num processo de perda de peso! E este julgamento, por vezes, acontece nas redes sociais e por parte de indivíduos que não são profissionais da área e que pensam que comer pratos visualmente bonitos, ovos e panquecas o dia inteiro é a única solução!

As redes sociais trouxeram muita informação positiva, mas também muita desinformação. A desinformação é bem capaz de deixar as pessoas que são mais ansiosas mais vulneráveis e com o sentimento de incapacidade no que toca à sua alimentação!

Se o objetivo é incentivar uma vida saudável, acho muito bem! Apenas deixem é a informação mais concreta para quem tem formação na área!

Também, nunca me vou esquecer de, numa determinada altura do meu percurso profissional ser criticada pelos pares de ter colocado num plano um papo-seco ao pequeno-almoço! Por favor, temos de ser coerentes e pensar na individualidade, nos gostos, na vida, nos problemas emocionais, na capacidade económica e até na espiritualidade de cada um! A isto chamamos Nutrição Funcional.

Apesar de também apoiar o consumo dos novos alimentos naturais, saudáveis, biológicos e de que temos de reduzir a carne, penso que ninguém precisa de se sentir pressionado para fazer dietas à base de queques de aveia e bolachas de tâmaras.

Podem apenas seguir um plano convencional, uma dieta mediterrânica com os alimentos que realmente gostam, desde que a alimentação seja equilibrada. Acima de tudo temos de nos sentir motivados com as nossas escolhas para atingir os nossos objetivos!

Em suma, descompliquem, percam peso e sejam felizes!

E não se esqueçam: "Nem toda a gente precisa de comer aveia!"

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
11/04/2024 08:00

A finitude da vida é um tema que nos confronta com a essência da nossa existência, levando-nos a refletir sobre o significado e o propósito da nossa passagem...

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