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Artigo de Opinião

Psiquiatra

11/01/2023 08:00

Uma das áreas mais importantes deste problema é manifesto pelo seguinte: se tivermos 3 maçãs para distribuir por 2 famílias, como as distribuímos? Uma e meia para cada? Duas para uma? Contamos os elementos da família e dividimos em percentagem? No mundo atual, seria algo como a primeira família teria 2 elementos e ficaria com duas maçãs e meia e a segunda família de oito elementos, ficaria com meia maçã. A primeira deitaria para o lixo os restos, a segunda ficaria com muita fome. Porquê que uns merecem ter tanto que desperdiçam e outros morrer de fome? E no caso da educação? Que oportunidades, sofrimento e criminalidade merecemos ter e como é que afetam o nosso futuro?

O nosso mundo é tão diverso, que as disparidades sociais são consideradas impossíveis de quebrar. Elas não são assim tão impossíveis de quebrar, mas são o alicerce da forma como vemos a realidade. Para além desta cristalização social, temos outros problemas, como o nosso cérebro primitivo. Partes do nosso cérebro são semelhantes aos répteis e outros animais. São partes responsáveis por instintos importantes de sobrevivência. Mas esses mesmos instintos conduzem-nos a procurar mais e a conquistar, pisando os outros.

Estes são os alimentos das revoluções, das guerras. Pessoas astutas utilizam a fragilidade do "mereço" e da "justiça", para se afirmarem como a mudança que queremos ouvir e acabam muitas vezes por ser apenas mais do mesmo. Qual é a justiça do que se passou no Brasil neste fim-de-semana? Mas quem invadiu e pilhou, achava que estava a fazer o que está certo. "Porque é o meu direito". Até onde vamos para o alcançar. Quer seja glória, ouro ou outros recursos, considera-se que é proveitoso entrar em guerra. Depois de começar, é muito difícil desistir, porque comprometemos o nosso direito e a nossa honra na conquista.

O cerne da questão, a meu ver, é a imaturidade emocional. Esta imaturidade é a maior fragilidade da humanidade. Se as diferenças sociais são o alimento, a imaturidade emocional é o animal esfomeado. Podemos dar cultura e dinheiro a uma pessoa, mas se não sararmos as feridas do seu passado e ajudarmos a que cresça emocionalmente, continuará a ser violenta e a querer o que os outros têm.

Cada vez fazemos mais reclamações e queixas. Seja entre colegas ou nos serviços, estamos cada vez mais escravos das reclamações e das avaliações. Fazemos tudo para ter boa avaliação, talvez até o que não devêssemos fazer. Um exemplo da hotelaria: um cliente queixa-se e é recompensado. O que faz a seguir? Queixa-se mais para ter mais recompensas. E ai de quem não dá... vai ter uma má avaliação nas redes sociais...

Acredito que só através do desenvolvimento pessoal, sarando as feridas do nosso passado, reduzindo o motor da agressividade, do conflito, procurando ser a nossa melhor versão, podemos evoluir como sociedade para uma paz profunda. Longe de conflitos, de violência dentro e fora de casa. A paz para se manter precisa de ser cuidada, ensinada. A paz começa em casa e na escola. A paz cultiva-se nas relações uns com os outros. Quanta agressividade assistimos à nossa volta e ainda assim acreditamos que vivemos num país em paz?

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