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Artigo de Opinião

24/06/2024 07:30

Embora à rasquinha, lá conseguimos manter um deputado da Madeira no Parlamento Europeu.

Como já aqui escrevi, muito da nossa vida decide-se em Bruxelas, sendo por isso importante que estejamos bem representados no Parlamento Europeu. A próxima legislatura não será exceção, sendo vários os dossiês que vão estar no topo da agenda, em que os nossos interesses particulares terão de ser acautelados. E desenganem-se aqueles que pensam que basta puxarmos do artigo 349.º do Tratado de Funcionamento da UE para que tudo se resolva. Não, não é assim que funciona em Bruxelas. É um processo complexo que envolve muita negociação, que exige presença em Bruxelas e uma cooperação entre os representantes de cada uma das RUP e entre as várias RUP.

Mas estas eleições tiveram várias situações “sui generis”. Desde logo na Madeira, em que o partido que ganhou as eleições com larga vantagem – o PSD – não conseguiu ver a sua candidata eleita, fruto do injusto nono lugar que lhe foi reservado nas listas nacionais. Depois com a cena caricata na sede do PS, com a derrota mais celebrada que já vi até hoje, fruto da eleição do seu candidato. Isto é, os madeirenses confiaram maioritariamente na Dra. Rubina Leal para o PE, mas quem acaba por se sentar em Bruxelas é o candidato do PS...

Isto quando a Madeira e os Açores, no seu conjunto, conseguem eleger quatro dos 21 deputados portugueses – 19% dos eleitos (!) –, muito acima do peso da população no total nacional. É obra que assim seja, mas mais uma vez ingrato que a candidata do PSD-Madeira – o partido mais votado, repito – não esteja neste leque de eleitos.

Mas injustiças à parte – e a vida e a política estão cheias delas –, o importante agora é que estes quatro deputados juntem forças e defendam com convicção os interesses das RUP em dossiês como o próximo quadro financeiro plurianual ou o próximo pacote legislativo na área do ambiente para alcançar a neutralidade carbónica em 2050, só para elencar dois dos mais relevantes.

Tenho fé que o Dr. Sérgio Gonçalves irá cumprir a promessa de pôr os interesses da Madeira acima dos interesses partidários – tenha força para não ser teleguiado pela Rua da Alfândega ... –, mas sobretudo tenho a certeza de que o Dr. Paulo Nascimento Cabral, candidato eleito do PSD Açores, ainda conselheiro na Representação Permanente de Portugal junto da UE, com quem tive o prazer de trabalhar, irá defender convictamente os interesses dos Açores, mas que também acautelará as principais preocupações da Madeira.

Nesse contexto, seria muito importante que a Madeira estivesse representada na estrutura nacional do PPE em Bruxelas, para assim fazer a ponte com a Região. Não é a mesma coisa do que ter um deputado em Bruxelas, mas sempre é melhor do que não ter qualquer representação no PE.

Estabilidade precisa-se

Apesar do muito que se tem dito, é inevitável falar da situação política da Madeira. Já quase tudo se disse, mas aquilo que mais retenho é o cansaço generalizado que esta situação está a ter na nossa sociedade, já farta de eleições e de indefinições.

Embora isto seja a democracia a funcionar, a verdade é que é urgente garantir estabilidade, para podermos ter um Governo em plenas funções e um orçamento que responda aos nossos problemas e satisfaça as nossas expetativas.

Tenho a certeza de que haverá solução para o atual impasse, esperando que chegue rapidamente. E já agora que essa solução seja encontrada pelas estruturas regionais dos partidos e não com ordens vindas de Lisboa. Por respeito pela nossa Autonomia!

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