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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

17/10/2021 07:00

Malta está colocada entre a Sicília e a costa norte africana. O seu nome é de origem púnica e significa Refúgio. O território é formado por duas ilhas: Gozo, ao norte, Malta ao sul, com a área total de 316 quilómetros. Segundo uma antiga tradição, o lugar do naufrágio, narrado por São Lucas, é situado na Baía de São Paulo, na costa setentrional da ilha. A praia, onde o barco encalhou, estava junto de uma pequena ilha chamada Sulmona. Para recordar a passagem de São Paulo, os cristãos ergueram ao apóstolo uma estátua e uma capela.

São Lucas narra com muitos detalhes a viagem dramática de Paulo de Cesareia da Palestina até Roma. Lucas acompanhou Paulo com Aristarco da Macedónia que será seu companheiro de cativeiro.

A descrição da viagem é muito pormenorizada, rica de termos técnicos, dramática e considerada por vários historiadores, importante para a arte náutica do tempo dos gregos e romanos. Lucas descreve as diversas etapas da viagem que obrigou a nave a passar os meses de inverno no meio de tempestades e em Malta. Durante duas semanas 276 passageiros estiveram à mercê das dos ventos e das ondas, por fim a neve desfez-se nos escolhos, junto à ilha de Malta. Paulo segue como prisioneiro, juntamente com outros detidos que eram transferidos para Roma. Lucas cita o nome do centurião Júlio que pertencia à coorte Augusta, e tomara uma pequena nave que se dirigia do porto de Adramítio, no mar Egeu. Ao chegar a Sídon, Júlio tratou Paulo com benevolência, permitiu-lhe ir ter com os amigos e receber os seus cuidados. Em Sídon residia uma comunidade cristã que Lucas chama "amigos de Paulo". Para uma travessia tão longa até Roma, esta data era tardia por causa dos ventos de Outono, quando o "mar estava fechado" à navegação. No porto, houve tempo para carga e descarga de mercadorias que vinham do Egito, principalmente trigo para alimentar o exército. O centurião mudou de nave, tomou um navio grande que se dirigi para Roma, além de cereais a nave transportava 670 passageiros. De novembro a meados de março não se navegava no Mediterrâneo, porque as nuvens cobriam o céu e de noite era impossível orientar-se pelas estrelas. Paulo assume uma missão profética, sábio é capaz de prever o futuro. Dirige-se ao capitão Claúdio porque "a navegação tornava-se perigosa e, com muito risco, não só para a carga e o navio, mas também para as nossas vidas" (At.Ap. 27,10).

"Não podendo resistir ao vento, andávamos sem rumo". O navio ficou à deriva, a equipagem não podia controlá-lo. No dia seguinte, são obrigados a deitar ao mar parte dos cereais, depois os marinheiros alijaram às ondas toda a carga, velas, amarra, cabos, peças de recâmbio. A tempestade tornou-se mais violenta. O piloto e a equipagem perderam a orientação. Toda a equipagem vivia o drama e de uma eminente catástrofe, ninguém tomava qualquer alimento, Lucas escreve: "Tínhamos perdido toda a esperança de salvação" (A.Ap. 27,20). Quando a tempestade se tornou mais violenta, Paulo acossado pelo vento, de pé, convida os seus companheiros a ter confiança. Por volta da meia noite, os marinheiros dão conta que o barco se aproxima da terra. Paulo dirigiu-se ao centurião e aos soldados e diz: "Se estes homens não permanecerem no barco não podeis salvar-nos". Finalmente raiava a luz da aurora, Paulo convida-os a comerem e assegura-lhes mais uma vez que nenhum deles perderá a vida. Este ato de confiança contagiou a todos. Os marinheiros descobrem uma baía com uma praia e forçam a nave a entrar, por desgraça, a nave bate numa língua de terra e encalha, pânico e confusão, é um naufrágio.

Os prisioneiros temem ser punidos. Paulo intercede por todos junto do centurião para que não corram este perigo. O centurião queria salvar Paulo e consegue controlar a situação. O abandono do barco fez-se com ordem. "E assim aconteceu que todos chegaram a terra sãos e salvos".

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