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Artigo de Opinião

17/10/2021 07:00

O dia em que os sócios do Marítimo serão chamados à urna para decidir o rumo do clube nos próximos quatro anos. Pela primeira vez em praticamente quatro décadas, são duas as listas que concorrem aos órgãos sociais. Uma encabeçada pelo atual presidente Carlos Pereira e a outra pelo também (ex)presidente Rui Fontes. Desde logo este ato eleitoral é uma manifestação de que afinal o Marítimo está vivo. Ao contrário do que algumas vozes adoram vociferar aos quatro ventos, esta é a prova de que há massa crítica verde-rubra, que há sempre alternativas e de que há sempre quem se chegará à frente. Esta possibilidade democrática de escolha, de um ou outro, é o que enriquece o clube e o impele para o crescimento que todos os Maritimistas quer que seja uma realidade.

Mas é neste momento que, mais do que o coração, é preciso usar a razão. Pelo que, a poucos dias do ato eleitoral, permitam-me partilhar convosco algumas das minhas preocupações. Logo à cabeça, a data das eleições. Eu sei que é o que os Estatutos do clube dispõem. Compreendo isso. Que as eleições se realizem entre os dias 20 e 30 de outubro. Mas discordo em absoluto. É que realizar potenciais mudanças de todo o elenco governativo do clube (extensível à SAD e a todo o universo empresarial do clube - que é extenso) com a época em curso é contraproducente. Desde logo porque, se de facto altera a liderança, isto implica a passagem de pastas - muitas sensíveis -, implica promover todas as alterações de funcionamento necessárias (na banca, nas finanças, etc), conhecer de todas as obrigações em curso (desde garantias, avais, compromissos, processamentos salariais, etc), entre uma panóplia de situações que obrigam a reuniões intensas com a direção cessante. E isso obriga a entendimentos entre quem entra e quem sai. Existirá?

Depois, e naquilo que importa à maioria dos adeptos, que é a equipa de futebol, é preciso conhecer os contratos, acordos (escritos e não escritos) com equipas técnicas, jogadores, empresários, tudo de forma a não perturbar negativamente o comportamento destes profissionais dentro das quatro linhas. Dada a altura do ano, quaisquer ‘promessas eleitorais’ face à equipa de futebol dificilmente alguma será cumprida de imediato. Desde logo, no que concerne a jogadores, o mercado só abre em Janeiro do próximo ano. Portanto, mexidas nem vê-las. Treinador e equipa técnica são os mesmos e atendendo a que todos têm contrato, quaisquer mexidas implica pagamentos compensatórios. E enquanto tudo isto acontece, a Liga não pára e os jogos vão acontecendo. Sem estabilidade na direção, dificilmente haverá estabilidade na equipa.

Isto francamente preocupa-me. Não podemos esquecer que os jogadores, os treinadores e funcionários do clube também leiem as notícias e as interações nas redes sociais que vão saindo e não tenho dúvidas que estão acompanhando este período eleitoral. As declarações das partes interessadas, especialmente sobre o dia a seguir às eleições, é algo que concerteza lhes preocupa e, francamente, não vi nenhuma das partes candidatas a dirigir uma palavra a estes profissionais. E hoje o Marítimo já tem um desafio para a Taça de Portugal. Acreditam mesmo que nada disto tem impacto do rendimento da equipa?

Outra preocupação que tenho decorre do rumo que esta campanha tem tomado na última semana. Como acima escrevi, defendo com unhas e dentes esta possibilidade de escolha dos adeptos do Marítimo. É importante que existam pontos de vista diferentes, outras propostas, outras ideias, mas tudo com o objetivo final de promover o clube e fazê-lo crescer. Porém, o que se tem assistido é uma personalização das campanhas na figura dos seus candidatos, com cada vez menos discussão de conteúdo e cada vez mais ataques pessoais de parte a parte. Isto é quem deixou mais ou menos dívida, isto é, quem recuperou o clube ou quem deixou de recuperar, isto é, quem faliu aqui ou aqueloutro, ou seja, tudo menos o que importa. E isto alimenta as forças de apoio às listas, que utilizam as redes sociais para o insulto gratuito e o extremar de posições. Nada disto é bom. Nada disto é benéfico para o clube.

Somos todos Maritimistas e o mais importante é o clube, nunca as pessoas que por lá passaram ou que possam passar! No dia 22 os sócios decidirão qual o rumo que o clube tomará nos próximos 4 anos. Será uma decisão inequívoca e que terá que ser respeitada por todos. E aqui só há uma certeza. No dia 23 de outubro, haverá uma direção e um presidente. Que, independentemente do seu programa, terá a obrigação de responder a todos os sócios e adeptos do clube e terá como objetivo máximo garantir o crescimento do nosso Marítimo! Pois, quer queiramos quer não, estamos todos no mesmo barco, a grande nau verde-rubra. Não a deixemos afundar...

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