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Artigo de Opinião

Advogado

2/07/2024 06:00

O artista madeirense é elitista, tal como o político madeirense, não percebe que está ao serviço do povo, não há a preocupação de chegar ao povo, de passar a mensagem, produz para ele e para os seus pares. Claro que não estou a falar de um artista de primeira linha, mas sim os de segunda linha, o underground madeirense.

A cultura e a intervenção social e política, tem de passar pela arte, e o que vejo tal como na política, são artistas que só se dão com artistas, e que pensam ter o espólio efectivo da discussão da cultura e a arte.

Seria necessário um movimento de aproximação, tal como na política, da arte ao povo; educar o seu povo é das coisas mais importantes da vida.

Claro que existe muito boa gente na Madeira com este sentido de oportunidade, com as características de humildade e sobriedade de ponderar que ninguém está acima de ninguém seja mais culto ou não, tem de haver uma preocupação de entendimento com o mais comum dos mortais e não fazer da arte uma redoma que só passa por alguns, que dizem ser os amantes da arte e da cultura. Tal como o político que se fecha numa redoma de argumentação política inacessível ao homem mediano, e apenas comunicam entre si próprios discutindo e decidindo o que é melhor para a Madeira, assim é o artista madeirense, não tem paciência de trabalhar pela disseminação da cultura pelo povo madeirense, um povo que precisa da cultura e da arte, para se emancipar da ditadura de interesses que ocorreram nestes mais de 40 anos. Os tiques de estrela e vedetismo estão presentes na criação artística.

Com muita pena minha, expresso esta opinião, e não tenho problemas que fiquem chateados comigo, porque defendo que deve haver um movimento que destrua a verticalidade entre a arte e o povo, e que promova a integração das suas gentes na dinamização da cultura, de forma a preparar o madeirense a abrir a sua mente, e para que se sinta mais igual aos demais e ser capaz de transformar a sociedade. Tudo o que peço é que enfrentem a humildade como uma das principais características do ser humano. Todos somos ignorantes até ao ponto em que uma força interior de regozijo pela aprendizagem nos transforme num ser apologista do desenvolvimento cultural e humano tão necessário às transformações sociais que a Madeira ainda não viveu.

Existe um preconceito de inferioridade do povo da ilha, provocado pelo facto de não haver contacto com a cultura, como existe nas cidades cosmopolitas.

Não estou a dizer que somos menos que os outros, mas temos medo do desconhecido, de sair da nossa área de conforto, só assim se explica que o PSD tenha governado mais de 40 anos e tenham sido sempre os mesmos a exercer o poder e a tomar conta da riqueza.

O madeirense está conformado, e o artista vedeta madeirense tem a sua quota parte de responsabilidade, chega a um ponto de não querer saber e se asilar da sociedade, numa marginalidade artística que chega a equalizar o mesmo que uma produção estéril que não chega ao público madeirense menos atento.

Eu nunca fiz produção artística, mas tenho uma consciência social que sempre me acompanhou ao longo da vida, e que faz afirmar a minha desilusão com o artista madeirense, quem quer cultura tem de sair da Madeira.

É preciso e urgentemente haver a democratização da cultura e integração da sociedade civil no meio artístico.

Basta de arte e cultura só para alguns.

De que vale subsidiar a cultura se ela só está ao alcance da elite, a cultura tem de ser a pedra toque que mudará a mentalidade do madeirense.

Tenho dito, um homem que não se interesse em servir a sua população, nunca pode atingir o expediente máximo da sua potencialidade, o solipsismo da cultura e da arte madeirense está aí há mais tempo do que uma certa forma de aristocracia política.

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