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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

11/02/2024 08:00

A Igreja de Jesus Cristo é santa com filhos pecadores, nalguns períodos da sua longa história humana sofreu violências brutais, não somente no Império romano, mas durante vários períodos da sua existência. Portugal no século XIX julgou oportuno humilhá-la fechando os seus mosteiros e conventos religiosos, tendo a maçonaria e outras forças laicas procurado decapitá-la da sua cabeça visível o sucessor de São Pedro, em Roma. Mesmo dentro dos membros do clero, nunca lhe faltaram discípulos de Judas Iscariotes. Em nossos tempos, o continente mais cristão e missionário, a Europa, atravessa uma grave crise com a secularização e o islamismo a se implantar nas cidades, nas quais tendo maioria, caiem na tentação de expulsar os cristãos. Da minha parte, visto ter vivido e visitado os seus países no oriente, recebi deles a hospitalidade que receberam como herança do nosso Pai Abraão e não tenho razões para queixar-me..

Hoje, não podemos ignorar os relatos que a Fundação A.I.S. (Ajuda à Igreja que Sofre),

nos apresenta de tantas partes do mundo e do imenso bem que realiza sob tantos aspetos, com as ofertas que recebem dos cristãos, para a qual recomendo a vossa ajuda generosa, porque será bem administrada.

Um dos países vítima de uma violência que nos causa pena e espanto, é a da Igreja da Nicarágua, na América Central. Tem um bispo na prisão, 37 padres exilados, 32 religiosas expulsas do país, confisco de, pelo menos, 7 edifícios da Igreja Católica nomeadamente de um convento, ao longo de cinco anos. Segundo um estudo feito sobre este regime foram proibidas 3.176 procissões na via pública durante a Semana Santa do ano passado. Durante este período, como situações de perseguição contra a Igreja local, houve profanações, sacrilégios, roubos, atentados, além da prisão e expulsão de diversos padres, religiosas e leigos, devido ao clima de medo muitos cristãos recusam-se a nomear os seus sofrimentos.

Nestes últimos 5 anos as dioceses mais atingidas foram, a Arquidiocese de Manágua, seguindo-se a de Matagalpa com a prisão do bispo Dom Rolando.

Durante este período registraram-se 193 ataques a religiosos, bispos, sacerdotes, diáconos, seminaristas e irmãs, que incluem ameaças de morte, tentativas de homicídio, agressões, processos penais, desterro, expulsões, proibição de entrada no país, até vigilância permanente da parte das autoridades, foram expulsos 16 religiosos, um bispo, 2 diáconos e 13 sacerdotes, expulsaram também o Núncio Apostólico e dois padres, sendo desterrados 8 religiosos.

O Padre Vicente Martínez, pároco, foi ameaçado com uma metralhadora à cabeça até a igreja de São João Batista, sendo este monumento sacro atacado com um morteiro.

A Embaixada da Santa Sé foi encerrada, com a rotura das relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Nicarágua. Com a saída de Monsenhor Marcel Diouf, Encarregado de Negócios, devido ao lugar do Núncio Apostólico estar vago, os bens e os arquivos foram confiados à representação italiana, devido à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

O governo da Nicarágua, nas declarações que fizera o Papa Francisco, devido ao enceramento da Sede Diplomática a um “site “argentino, o Papa, referindo-se a Daniel Ortega falava do “desequilíbrio da pessoa que lidera” a Nicarágua, e, descrevia o país como sendo “uma ditadura grosseira,” comparando-o à tirania soviética de 1917 e à de Hitler em 1935.

Perante todos estes sofrimentos, relembro as palavras de Jesus no Discurso Evangélico: “Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por MINHA CAUSA. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.”

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