Os sem vergonha

As redes sociais criaram a opinião de muitas pessoas, que, sem as mesmas, nunca seriam ouvidas ou lidas. No entanto, trouxeram um novo modo de fazer as velhas campanhas eleitorais, modo, que, aliás, que sempre existiu, mas sob outra forma. Usando um termo regional ou um brasileirismo, era a bilhardice, a fofoca, que era à boca pequena, agora é feito à boca grande e para todos vermos, isto é, com as tais bilhardices, mentiras e boatos simplesmente para denegrir adversários políticos. Aquilo a que os americanos sempre souberam, as campanhas negras.

Quero com isto elogiar e agradecer a todas entidades políticas, empresas públicas, privadas, mas, acima de tudo, às pessoas, pois falamos de pessoas que contribuíram para que a tempestade do dia 27 para 28 de março não tenha ocorrido com uma tragédia com danos incalculáveis.

Porém, se estivéssemos atentos às redes sociais, éramos capazes de ver, alguns sem vergonha, a dizerem: “da adufa da rua A começou a sair água, a culpa é daquele…” O problema é que as adufas foram em vários concelhos e alguns da mesma cor política desses que acusavam os dirigentes dos concelhos onde o partido da sua preferência não era poder. Depois faltou a eletricidade, aqui já era uma situação anormal, um tempo anormal e tudo anormal. Mas isto era só para eles, agora estavam calados, pois ficaram sem luz. Temos que ter atenção que, quando fizeram esses comentários, não atacavam o Presidente de Câmara de Lobos, do Funchal, de Santa Cruz ou do Polo Norte, atacavam os cantoneiros, os homens da limpeza, os canalizadores, os bombeiros e tantos outros profissionais, esses homens que são nossos amigos, nossos familiares. É uma falta de vergonha desses “perfis falsos”!

Estes perfis falsos, estas pessoas que se cobrem sob o manto de anonimato, não passam de uns sem vergonha, pois, tal como muitas vezes eles ouvem, se é que percebem o que significa, a frase de Francisco Sá Carneiro: “A Política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha”.

Com isto quero agradecer às autarquias, aos seus funcionários que foram incansáveis, aos bombeiros municipais e voluntários, às proteções civis municipais e regional, aos presidentes de câmaras, ao presidente do Governo Regional, ao Secretário Regional da Saúde e Proteção Civil, aos eletricistas, técnicos e engenheiros da Empresa de Eletricidade da Madeira, à PSP, aos funcionários da ARM, à Segurança Social e restantes entidades que ajudaram a minimizar esta intempérie.

Como é óbvio, estes bravos homens e mulheres tiveram que abandonar as suas famílias para dedicarem-se a nos a proteger, estes homens e mulheres que foram resilientes em nosso prol. O meu muito obrigado!

Entretanto, há algo e alguém a quem e que devemos agradecer, que foram as obras, muitas vezes criticadas, do Dr. Alberto João Jardim e do seu Governo, para proteger a cidade do Funchal: Mostrou-se outra vez que as mesmas foram eficazes nesta proteção. É claro, há uns que dizem: “mas a chuva foi no centro do Funchal e da outra vez foi na serra…” Estes nunca terão capacidade para valorizar os outros, pior que isso, desvalorizam os outros - técnicos e engenheiros que fizeram cálculos. Só eles é que sabem! Os chamados treinadores de bancada.

Finalmente, gostaria de pedir aos sem vergonha que tenham dó do Povo, que não é idiota e não leva com idiotices, embora haja que reconhecer que as mesmas abrem feridas que jamais serão saradas. A política não é isso. Aos líderes partidários: deviam impedir isso e apelar, através da pedagogia democrática, para que não se continue no bota-abaixo que degrada a democracia. E não se façam de inocentes, dizendo que nada sabem!

É cliché, mas tem que ser, pois é um cliché deles: “A política sem risco é uma chatice e sem ética uma vergonha!”