Batismo de Jesus no Rio Jordão Manifestação Messiânica

O Batismo de Jesus é narrado pelos três evangelistas, Mateus, Marcos e Lucas, João supõe-o implicitamente. A narração pertence ao género de uma forma literária didática. As teofanias, ou manifestações da Trindade Santíssima, põem em relevo a fé cristológica das primeiras comunidades cristãs, que decorriam deste facto salvífico da vida de Jesus Cristo, à luz da revelação da Ressurreição de Jesus.

Não foi João Batista quem inventou o batismo por imersão na água, os judeus piedosos, para além da circuncisão praticavam ritos de purificação. Os essénios, a comunidade que vivia na época de João Batista junto do Mar Morto, no Quram, praticava o batismo como sinal de um compromisso de servir a Deus com grande fidelidade. Todos estes casos eram batismos realizados por imersão de todo o corpo na água. A originalidade do batismo de João Batista no Jordão era a sua intenção penitencial e também anúncio do batismo cristão na água e no Espírito Santo.

O batismo de Jesus coloca-se na linha das grandes teofanias, ou manifestação de Deus na Bíblia do Antigo Testamento; nos evangelhos incluem a revelação do mistério da Santíssima Trindade, além do batismo de Jesus revelar a presença do Espírito Santo. Jesus, filho da Virgem Maria, Ele que nunca teve pecado, colocou-se voluntariamente na fila dos pecadores penitentes que João batizava. O Senhor quer mostrar que assumiu voluntariamente a nossa condição humana, Jesus é o “Servo de Deus”, humilde e manso que cumpre e promove a justiça que, na Bíblia, significa cumprir em tudo a vontade do Altíssimo. Deus Pai declara publicamente a filiação divina de Jesus, confere-lhe a unção messiânica. São João Crisólogo escreve que o “Espírito Santo paira sobre as águas em forma de pomba para que assim como a pomba do tempo de Noé anunciou o fim do dilúvio, assim agora ela fosse sinal de haver cessado o perpétuo naufrágio da humanidade, não trouxe, porém, como aquela apenas um pequeno ramo da velha oliveira, mas derramou a plenitude do crisma sobre a cabeça do novo Progenitor.”

Conclui: “Hoje o Servo recebe o Senhor, o homem recebe a Deus, João recebe a Cristo, recebe-o para obter o perdão, não para o dar”.

“Este é o meu Filho amado no qual pus as Minha complacências” ( Mt. 3, 17).

Esta é a carta credencial que inaugura o início do Reino de Deus, Jesus deixa o anonimato após trinta anos na pequena e humilde Nazaré, terminou o tempo do escondimento. Jesus de Nazaré com a teofania do batismo é o Ungido de Deus com a força do Espírito Santo, para manifestar a salvação universal. Através de Jesus o projeto salvífico de Deus foi posto em marcha ao ritmo da história humana. Pelo nosso batismo, realiza-se e atualiza-se sob a forma trinitária, para significar que somos filhos amados por Deus e que participamos da mesma missão de Jesus. Para esta tarefa divina Deus nos concede, como a Jesus, a força do Seu Espírito Santo.

Nas peregrinações à Terra Santa, junto das águas do rio Jordão, por vezes com os pés descalços mergulhados nessa água, renovamos as promessas e a fé batismal, segundo o ritual da Vigília Pascal.