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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

23/04/2023 05:12

Os padres teólogos do Concílio de Niceia (325) suaram, disputaram, oraram, para a

preparação do primeiro documento de fé para toda a Igreja, devido a erros grosseiros que já surgiam em grandes dioceses como Alexandria. Todos os domingos recitamos na missa esse Credo chamado de Nicena e Constantinopla. Deus na visão a Moisés no Sinai apresenta-se como "Eu sou aquele que sou" (Iaveh), Deus É... Só Ele verdadeiramente é, sem princípio nem fim, nem mudança.

O Concílio de Niceia ajunta: Todo Poderoso, Criador, porque Deus é Amor por isso criou o céu, a terra e tudo o que é visível e invisível. O seu amor pelos homens criou um Filho Unigénito, que É Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro, de Deus verdadeiro gerado e não criado. No evangelho Jesus afirma; "Eu e o Pai somos um", e a Filipe que quer ver Deus Pai, Jesus afirma: "Filipe quem me vê, vê o Pai".

"O Espírito Santo é Senhor que dá a vida, Ele procede do Pai pelo Filho, é adorado e glorificado, dele já os profetas bíblicos tinham falado".

Jesus ressuscitado dá-nos o Espírito Santo, que a Igreja celebra no Pentecostes, nome de uma festa hebraica celebrada 50 dias depois da Páscoa. Os judeus neste dia agradeciam as colheitas dos campos e a Aliança do Sinai celebrada com Moisés.

Jesus recebe do Pai o Espírito Santo e comunica-o aos discípulos para que estes tenham uma maior compreensão das palavras do Senhor e sejam obreiros da misericórdia de Deus em favor dos seus irmãos e da Igreja. O dom do Espírito

Santo é recebido pelos cristãos nos sacramentos do Batismo e Confirmação.

Na Idade Média houve uma grande fome que avassalou por toda a Europa, o que levou o imperador a tirar da cabeça a sua coroa real de oiro e colocou-a na cabeça de um pobre, dando origem a grandes obras de caridade entre as pessoas.

Ainda hoje, na Madeira, a coroa enchida com pétalas de rosas, onde os cristãos colocam as suas ofertas para obras na Igreja, tem essa origem em tempos muito remotos, assim como a alegria desta festa, durante os domingos que antecedem a solenidade do Pentecostes. Na Madeira a tradição secular das visitas do Espírito

Santo, com as saloias para cantar e receber as ofertas. Os músicos com os seus instrumentos musicais, as capas vermelhas dos irmãos do Santíssimo Sacramento, e do pároco quando isso é possível, são formas poéticas e alegres que muito alegram as famílias e, até já levou os imigrantes, como em Londres, e outros países, a levar uma forma de espiritualidade e alegria a dar um tom festivo e a recordar o país de origem.

A tradição dos Açores, diversa da madeirense, é também muito original, de tal forma que a conheci nos Estados Unidos da América, quando fui convidado algumas vezes para presidir a essas festas que demoram alguns dias, convergindo grandes grupos musicais muito afinados e uma oferta de pratos de carne de vaca, além, da bênção de grandes animais bovinos.

Vivemos num tempo onde tende a imperar a mediocridade. Os grandes sonhos e utopias não despertam em muitos corações, mesmo dentro da igreja. Apesar disso a flor da esperança não está murcha, sente-se um desabrochar de primavera nos grupos de jovens que se preparam para a visita do Papa Francisco a Lisboa, por ocasião do mês de agosto para o JMJ. O Espírito Santo rompe barreiras de preguiça e sonolência. Deus nunca adormece ao ver os seus filhos diligentes na ação apostólica, misericordiosa e missionária.

A Europa, dum modo especial, necessita de encontrar-se consigo mesma, de descobrir as suas raízes cristãs, de não fechar-se em si mesma, de crescer no campo ecuménico e missionário. Sentimos hoje o mal-estar dos construtores da Torre de Babel que queriam dispensar Deus na sua construção que atingiria o céu.

Como estivessem divididos começaram a afastarem-se uns dos outros, começaram a inventar línguas diversas, países diferentes, fronteiras defendidas com armamentos, só criaram confusão, anarquia, guerra, dores, mortes e sofrimentos.

No dia de Pentecostes sucedeu o contrário, os diversos povos reunidos em Jerusalém compreendiam-se uns aos outros, falaram a linguagem do louvor, do êxtase e do amor.

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