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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

11/06/2023 08:00

História e Arte caraterizam esta grande ilha do Mar Mediterrâneo de cinco milhões de habitantes, hoje, pertencendo à Itália. Quando era estudante em Roma, no longínquo 1958, tive, juntamente com o caro estudante Padre Maurílio Gouveia, o privilégio de visitarmos durante uma semana a Sicília, viagem organizada pelo Colégio Português, na semana após a Páscoa. A viagem foi longa dentro do Autobus saído de Roma, que atravessou toda a Itália até ao estreito que separa a Sicília da Itália. Tive a oportunidade de voltar novamente, quando era Vice-Reitor, para preparar com alguns sacerdotes sicilianos, amigos do nosso Colégio, uma nova visita com hospedagem nas suas casas, percorrendo toda a bela Magna Grécia. Foi a terceira vez.

Finalmente, este ano, com um grupo de 20 peregrinos, percorremos as novas estradas modernas ao longo de toda a Sicília, dando mais importância às antiguidades gregas clássicas que, desde o século V de Péricles, se encontram disseminadas neste exuberante país. Para os que tiveram a sorte e o gosto de estudar grego e latim e toda a história antiga, e são milhares e milhares os que encontramos, tanto anciãos como eu, e de todas as idades e muitos países, a Sicília encontra-se preparada para o grande turismo cultural, com hotéis, muitíssimas novas estradas e vias rápidas, talvez como nós, agradecidos à Comunidade Europeia, sabendo que 70 por cento dos bens culturais da Europa se encontram na Itália.

Entre nós, também se participa, embora em grau reduzido, neste gosto pela cultura. A minha longa experiência para conservar os bens culturais da igreja do Funchal, que são de todo o povo madeirense, em relação à arte flamenga, que se encontra no Museu de Arte Sacra, muito penei e afligi com a Diretora Luiza Clode, por falta de meios, encontrando, porém, um grande Mecenas, o Doutor Alberto João Jardim, e hoje, também, o Secretário do Turismo. Nunca desanimei e combati, para que um conjunto precioso de ícones bizantinos, que fui recolhendo através da minha vida, para, agora, os colocar no último andar do palácio episcopal do Museu de Arte Sacra. Constatei, como no convite bíblico para o jantar, um silêncio de quase todos os convidados. Felizmente que, para outros artistas, é diferente...

A arte, a arqueologia e a história, encontraram na Sicília grandes génios, não só nos famosos e admiráveis templos gregos, teatros e anfiteatros, de Segesta, no conjunto

famoso da cidade de Selinunte, Agrigento, Solunto, e tantos outros como em Siracusa, Taormina, Tíndari e, em Catânia, com a estupenda maravilha do vulcão Etna, o maior e mais ativo da Europa. Alpendurado a mais de 3000 metros, é conhecido desde toda a antiguidade, como a oficina do deus Vulcano e dos Cíclopes, com sucessivas erupções com maior ou menos violência, a maior das quais, em nossos tempos, aconteceu em 1950-51. Os flancos do vulcão, foram cobertos com férteis detritos sendo estes espaços cultivados entre os 1000 e 2000 metros. Uma "funivia" permite subir em 20 minutos até 2935 metros, lugar onde se encontra um Observatório Vulcanológico. Este ano, teve uma violenta explosão que levou ao encerramento do aeroporto de Catânia. Quando lá passámos, estava calmo, com uma espécie de cachecol ao pescoço, para talvez não se constipar, formado de nuvens.

A Sicília está enriquecida com múltiplas igrejas, capelas, mosteiros, basílicas, eremitérios, se abundam os templos pagãos, não superam, em número, os edifícios do cristianismo. Quero referir-me dum modo especial à arte dos Normandos com os magníficos e numerosos ícones bizantinos que ornamentaram as igrejas de Cefalù, cidade com o Pantocrator mais célebre de todos eles, cidade dominada pelos gregos, romanos e bizantinos. A Catedral, uma das mais belas de toda a Sicília, foi mandada construir por Ruggero II da Normandia, no ano de 1131, continuando as obras no século II. Nesta ocasião, o ícone estava a ser reparado, com uma réplica atrás do altar mor. Numerosos turistas deambulavam por toda a antiga cidade.

Monreale, a oito quilómetros de Palermo, o mesmo Ruggero II continuou os trabalhos da catedral que Guilherme II tinha iniciado, conservando até hoje todo o seu esplendor, com os numerosos ícones que cobrem as paredes, e um Cristo Pantocrator (Criador de todas as coisas), com Maria, a Mãe de Deus, com o Menino Jesus sobre os joelhos, abençoando os fiéis. Esta magnífica catedral acolhe milhares de peregrinos e turistas todos os anos. Estava repleta de visitantes. Para quem conhece e aprecia a espiritualidade e história dos ícones, só por isso, merece uma viagem à Sicília.

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