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Artigo de Opinião

BOM DIA ALEGRIA!

19/02/2024 07:30

A maior parte de nós conhece alguém que se deu a oportunidade de amar novamente, de recomeçar a sua vida com outra relação. Quando implica filhos, aumenta o grau de complexidade, mas não invalida que seja uma história bonita, interessante e duradoura. Sei disso, porque eu sou uma dessas pessoas. Ser mãe e criar uma dinâmica com duas famílias diferentes foram, até agora, as experiências que mais me fizeram crescer e querer ser melhor pessoa.

Neste cenário, a identificação de “madrasta” ou “padrasto” fazem-me confusão. O mesmo com “enteado”. Carregam em si o prenúncio de que a coisa não vai correr bem. Ainda que seja mais comprido, prefiro “o namorado da minha mãe” ou “o filho do meu namorado”.

Há outra expressão, “o meu companheiro”. Acho que é usada para que os outros percebam que, anteriormente, tiveram outras relações conjugais oficiais. Companheiro é alguém que partilha a vida connosco, que nos apoia, que nos faz rir, que nos ama mesmo nos dias em que somos insuportáveis. Tanto faz se conseguimos isso na primeira ou na décima relação.

Aceitar chatices ou malcriações (normais de qualquer criança) que não são dos nossos filhos é mais difícil de lidar. O amor inigualável que temos pelos nossos filhos fazem-nos aguentar e desculpar coisas que, se fossem outros a fazer, teríamos ficado com um nó na garganta e uma raivinha que demora a passar.

Mas eu lembro-me de os meus irmãos e eu sentirmos que tínhamos tratamento diferente. Lembro-me de acontecer, a minha mãe ralhar e o meu pai defendia-nos e vice-versa.

Às vezes, ouço alguém que tem pena de não-sei-quem porque os pais não estão juntos. Será que isso é motivo para ter pena? Está a ser bem tratado? É amado? É acompanhado por ambos? Os pais lidam um com o outro de forma cordial? Será melhor viver numa casa onde há conflitos, indiferença ou infelicidade?

Pode acontecer que tenhamos crescido com os pais casados e desejar que eles se separassem ou porque discutem imenso ou porque percebemos que já não há ligação entre eles ou porque um deles sente-se desvalorizado. Olha, não são companheiros um do outro.

Nunca tive meios-irmãos, nem partilhei casa com os filhos dos namorados dos meus pais. Mas quantas vezes achei os meus irmãos uns chatos que nem os queria ver à frente? Isso faz parte de crescer juntos, de partilhar o mesmo espaço. Não tem que ver com o sangue, mas com a convivência.

Nesta situação, qualquer um terá as suas mágoas. Estou solidária com os pais nos momentos em que não sabem se tomam partido dos seus filhos ou das pessoas que partilham a vida. Estou solidária com os padrastos que muitas vezes se sentem uma peça que não encaixa no puzzle e que secretamente gostariam de apagar o passado do outro (no nosso ninguém toca, claro. Esse é inofensivo). Estou solidária com os filhos que desejam secretamente estar apenas com os seus pais biológicos e que na mesma têm de ser os enteados que fazem um processo para adaptar-se a uma pessoa que não escolheram para fazer parte das suas vidas.

Estou esperançosa de que tudo se pode resolver com amor, respeito, paciência e comunicação.

Bom será evitar viver em modo de suspeição e insegurança constante.

Todos estes desafios vão lembrar que é importante namorar, ser cúmplice, ser melhor pai, melhor pessoa porque se houve algo que as experiências anteriores nos trouxeram é saber o que não queremos.

Vamos ser cuidadores +, filhos +, pessoas +.

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