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Artigo de Opinião

Psiquiatra

17/08/2022 08:00

Infelizmente o mais provável é a continuação de choques, traumas e sofrimento. Também vão continuar a acontecer bons momentos e conquistas. Por diversos motivos, a maior parte de nós não pensa na mortalidade. Assim, quando algo terrível acontece, não estamos à espera. Pelo contrário, há pessoas sempre preparadas para o pior. Vêm os desfechos piores, pensam o pior dos outros e das situações. Podem estar preparadas para o pior, mas vivem pior do que as pessoas mais positivas. Ver sempre o pior, impossibilita de aproveitar e sentir quando a vida nos presenteia com bons momentos. Manter uma tonalidade mais positiva e esperançosa no pensamento e nas emoções, aumenta a nossa saúde mental e permite aproveitar o presente. Mas esta forma de ver a vida não pode ser forçada, apenas convidada.

Quando optamos por manter a alegria e sobretudo a esperança no nosso dia-a-dia, mantemos a nossa saúde mental. Se nos piores momentos conseguirmos manter essa esperança, a nossa resiliência aumenta. Os estados mais graves relacionados com o trauma, devem-se à destruição da esperança. Quando o trauma é tão intenso que a pessoa sente que naquele momento, não tem qualquer hipótese de sobreviver ou de se defender.

Estima-se que cerca de 70% das pessoas ao longo da vida seja exposto a um trauma. Dessas, estima-se que 1/3 desenvolva sintomas transitórios e que aproximadamente 20% desenvolverão a Perturbação de Stress Pós-Traumática (PTSD). As principais situações são: morte, risco iminente de morte, violência real ou ameaça, física ou sexual.

Existem muitos estudos relacionados com a abordagem ao trauma e talvez de uma forma clara, tornou-se evidente que "de boas intenções está o inferno cheio". Porquê? Porque existem várias ações habituais que parecem benéficas, mas que agravam a situação e tornam crónico o que poderia não ser.

Ao longo dos últimos anos chegou-se à conclusão de que no caso de eventos traumáticos graves, não interessa ter boas intenções. Interessa ter formação, bom senso e criar um ambiente de proteção, segurança e conforto. Resolver as necessidades básicas primeiro - segurança, alimentação, higiene, conforto. Os técnicos têm de criar a relação de confiança com a pessoa e deixá-la ter o controlo do que partilha, quando partilha e como partilha. A pessoa precisa de tempo e não devemos forçar a pessoa a contar o que se passou. Ela fará quando e com quem o entender. Muitos foram prejudicados pela "boa vontade" de instituições que foram "ajudar psicologicamente" em catástrofes por forçarem a pessoa a contar o que se passou. Algo que parece simples e inocente, mas que agrava a saúde mental. Também de nada serve forçar a pessoa a ter pensamentos positivos, esperança ou crenças religiosas. Temos de dar espaço e tempo à pessoa para recuperar. Tal como a autoestima, também não podemos ser forçados a ter esperança. São sentimentos que vêm de dentro.

Em termos da medicação, acontece algo semelhante. Existem medicamentos que têm mostrado ajudar a diminuir a probabilidade de se desenvolver PTSD. Contudo, medicamentos que muitas pessoas recomendam, as benzodiazepinas, ou "calmantes", estão proibidos na maioria dos casos. Tal como o consumo de álcool e drogas, também os calmantes devem ser evitados, com o risco de agravarem a longo prazo a recuperação do evento traumático.

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