Covid-19: Pelo menos 45 feridos em protestos contra confinamento no Líbano

Lusa

Pelo menos 45 pessoas ficaram feridas em confrontos noturnos em Tripoli, no Líbano, entre as forças de segurança e grupos que se manifestam contra as restrições sanitárias impostas para travar a pandemia de covid-19.

De acordo com a Cruz Vermelha, nove feridos tiveram de ser transportados para o hospital.

Segundo a France Presse, os manifestantes, que se se opõem às medidas impostas para travar a propagação do novo coronavírus, laçaram ‘cocktails molotov’ (engenhos incendiários artesanais) e pedras contra a polícia que respondeu com granadas de gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Na segunda-feira, trinta pessoas ficaram feridas em confrontos da mesma natureza em Tripoli, cidade onde as medidas de confinamento são menos respeitadas pela população.

Tripoli, no norte do Líbano, é uma das cidades mais pobres do país e vê-se afetada pelos efeitos económicos da pandemia de covid-19.

Uma parte significativa da população, sobretudo os trabalhadores precários, ficou sem rendimentos depois da entrada em vigor, no dia 14 de janeiro, de um confinamento absoluto visto que os hospitais esgotaram a capacidade de tratamento.

"Eu nem sequer posso comprar um pão", lamenta Abdallah al-Bahr, um manifestante de 39 anos.

"Nós, ou morremos de fome ou do coronavírus", acrescentou Al-Bahr pai de três crianças.

Até ao momento só se verificavam protestos em Tripoli mas desde terça-feira a contestação alastrou-se a outras regiões do país, principalmente com o bloqueio de estradas por parte dos manifestantes.

As autoridades libanesas prolongaram até ao dia 08 de fevereiro o confinamento estrito, considerado um dos mais severos do mundo.

O país, habitado por seis milhões de pessoas, regista 2.477 óbitos e um total de 285.754 casos de covid-19 desde o início da pandemia.

Além do recolher obrigatório permanente, o confinamento proíbe a abertura dos estabelecimentos comerciais e só permite a circulação ao pessoal médico, jornalistas ou portadores de documentação especial para o efeito.

O Líbano enfrenta uma grave crise económica com uma depreciação histórica da moeda e hiperinflação e com uma grande parte da população a sobreviver sem rendimentos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.149.818 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço da Universidade Johns Hopkins, dos EUA.