A Espanha está no ‘fio da navalha’ no Mundial de andebol e o seu treinador Jordi Ribera considerou hoje, em Oslo, na Noruega, que o jogo de sexta-feira com Portugal, que “está muito bem”, vai “exigir o máximo”.
Portugal, que venceu invicto a sua ‘poule’ da fase preliminar, lidera isolado o Grupo III da ‘main round’, com cinco pontos, após na quarta-feira ter empatado a 37 golos com a candidata Suécia, segunda, com quatro, em igualdade com o Brasil, terceiro.
A Espanha, que transitou para a fase principal com três pontos, após ter empatado na última jornada com a Suécia (29-29), perdeu por 25-24 com a Noruega, numa partida que esteve a vencer por cinco golos, e segue na quarta posição.
Para as contas finais do grupo, no que toca à passagem aos quartos de final, entram ainda o Brasil, terceiro, com quatro pontos, e a coanfitriã Noruega, quinta, com dois. O Chile, que vai defrontar a Noruega e Portugal, é sexto e último, sem pontos.
“O caminho é difícil, mas tentaremos aproveitar as oportunidades que dispomos. Estamos com três pontos e ainda há quatro em jogo, mas temos que defrontar o primeiro do grupo, Portugal, que está muito bem e nos vai exigir o máximo”, disse Jordi Ribera.
O guarda-redes Gonzalo Pérez de Vargas, colega do pivô português Luís Frade no FC Barcelona, reconheceu à agência Lusa que a Espanha se colocou “numa posição difícil, após a derrota com a Noruega, especialmente pela forma como o jogo decorreu”.
“Temos mais dois jogos pela frente [Portugal na sexta-feira e o Brasil no domingo], que temos que vencer, mas a missão ficou mais complicada”, admitiu o guarda-redes espanhol, de 34 anos, que falou ainda da seleção lusa e de Luís Frade.
A ‘arranhar’ um português com sotaque brasileiro, por influência do seu colega no FC Barcelona Thiagus Petrus, Gonzalo Pérez de Vargas considerou que “Portugal está a jogar muito bem, com jogadores muito jovens, mas já com muita experiência”.
“Estamos vendo uma seleção de Portugal a jogar rápido, com muita energia, muita velocidade e que é difícil de parar”, adiantou o guarda-redes espanhol, que com Luís Frade ergueu três das últimas quatro edições da Liga dos Campeões de clubes.
Questionado sobre o pivô português, que marcou sete golos e foi eleito o ‘homem do jogo’ contra a Suécia (37-37), e qual a forma de o parar, Pérez de Vargas disse que Luís Frade “está a um nível muito forte e difícil de defender”.
Pérez de Vargas esteve já em destaque no Mundial ao protagonizar um gesto elevado de ‘fair-play’ aos 40 minutos do jogo com a Suécia, da fase preliminar, num livre de sete metros a punir derrube de Dani Dujshebaev a Sebastian Karlsson.
O seu colega nórdico nas últimas três épocas no FC Barcelona Hampus Wanne foi chamado a cobrar o livre de sete metros, com a Suécia a vencer por 20-14, mas falhou e a bola bateu na cabeça de Perez de Vargas, ricocheteando no seu braço.
Ao ver a bola embater na cabeça do guarda-redes espanhol, o árbitro húngaro Adam Biro concedeu um cartão vermelho a Wanne, mas Pérez de Vargas explicou que a bola acertou primeiro no braço e depois na cabeça, pelo que o mesmo foi anulado.
“Prefiro ser fiel a mim próprio do que viver com a consciência pesada”, disse após o jogo Pérez de Vargas, acrescentando que sem Wanne no jogo o resultado podia ter sido diferente, mas fez o que sentiu que tinha de fazer naquele momento.
Num jogo de altíssima rotação, que teve o segundo maior total de golos marcados no Mundial, a seguir ao Qatar-Países Baixos (37-38), Portugal e Suécia repartiram os pontos e deixaram em aberto as contas do cada vez mais complicado Grupo III.
Com cinco pontos e ainda invicto, Portugal – que nunca atingiu os quartos de final e apresenta como melhor classificação o 10.º lugar no Egito2021 - lidera o grupo, com a Suécia atrás um pontos, e a Noruega ganhou novo fôlego à custa de uma vitória ‘in extremis’ sobre a agora ‘aflita’ Espanha.
O Mundial é organizado conjuntamente pela Croácia, Dinamarca e Noruega, e tem a final marcada para 02 de fevereiro, na Unity Arena, de Oslo, que tem sido a casa da seleção portuguesa.