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Miguel Silva Gouveia diz que crise política está a demonstrar “inutilidade do cargo de representante da República”

Alberto Pita

Jornalista

Data de publicação
11 Fevereiro 2024
16:16

Miguel Silva Gouveia, vereador da oposição na Câmara Municipal do Funchal, considera que a “rocambolesca novela” da demissão do presidente do Governo Regional da Madeira, e consequente queda do Governo, tem demonstrado “a inutilidade do cargo do representante da República”.

Numa publicação na sua página oficial numa rede social, o antigo presidente da Câmara Municipal do Funchal entende que a função do representante “além de promover o ruído político, não acrescenta nada ao processo constitucional, remetendo-se a um papel de procurador sem poderes do Presidente da República”.

Numa análise com cinco pontos, o autarca refere que a crise política na Madeira está igualmente a mostrar “a carestia de referências regionais, ao nível de lideranças políticas, com credibilidade, responsabilidade e sentido de Estado, que acumulem um histórico discursivo que inspire confiança aos madeirenses”, mas também “o desconhecimento básico, por parte de muitos atores políticos regionais e não só, do Estatuto Político-Administrativo da RAM e da própria Constituição da República Portuguesa, que, apesar de necessitarem de revisão, continuam em vigor”.

Para Miguel Silva Gouveia, este processo expôs “a impossibilidade de uma solução que agrade ao ‘statu quo’ e a falta de coragem para decidir”, o que leva “a que se prefira deixar tudo na mesma, ganhando tempo para ver a evolução política, nas eleições legislativas, e judicial, nos processos em curso”.

Por fim, observa que a “insistência em conduzir a opinião pública para o medo, orientando-a para o combate a fantasmas de inimigos externos da Madeira, serve o propósito de tornar inevitável a solução de poder que o PSD apresentará em breve”.

Enfim, conclui, “tudo se conjuga para que nesta Região Atlântica se repita máxima de Lampedusa ‘tudo deve mudar para que tudo fique como está’”.

Esta máxima foi extraída da obra ‘Il Gattopardo’, celebrizada por Tomasi de Lampedusa, na qual o sobrinho de Don Fabrizio, num momento de crise, defende: “A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles submeter-nos-ão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”.

“Lapidar”, sentencia.

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