Pior que um muro

Ouviu-se, por aí, da boca do Primeiro-Ministro português que o PS não quer “reerguer muros”, mas sim “fazer avanços”. Aliás, sendo que o próprio se identifica como uma “pessoa de consensos, de compromissos, de diálogo”, não se devia esperar outra coisa… Sucede que, na Madeira, temos ficado a ver navios… e muros!

Os consensos, compromissos e o diálogo ficaram, de certeza, perdidos em gavetas e gavetinhas de quem pensa que a Madeira, afinal, não é Portugal.

Já nem falo das promessas que serviram de pilar a determinadas campanhas políticas cujo resultado foi aquele que se viu. Já nem me refiro à forma barata, vã e banal com que o nome da nossa Região é usado apenas quando dá jeito.

Foco-me, ferida pelo cansaço que chega a todos os madeirenses relativamente a estes assuntos, nos pontapés que são dados quer à nossa Constituição, quer na relação institucional que se devia sobrepor a determinadas neuras partidárias que afetam muitos, de lá e de cá.

O último muro, sem murro na mesa, a que assistimos foi a suspensão da lei que atualizou, em 2019, o modelo de atribuição do subsídio de mobilidade.

Apesar de, em 2017, na Assembleia Legislativa da Madeira, se ter aprovado uma proposta de lei que visava a revisão deste regime de atribuição e que procurava efetivar o cumprimento do princípio da continuidade territorial, só dois anos mais tarde, na República, se começou por remexer na poeira.

Ainda assim, conseguiram introduzir na lei uma norma que fazia depender a sua entrada em vigor da publicação de uma portaria.

A portaria nunca apareceu. Nem pressionado pelos órgãos de governo próprio regionais, nem através da inserção de normas em sucessivos Orçamentos do Estado, nem, tão pouco, graças às reivindicações da população, o Governo da República se mostrou recetivo a resolver este problema.

Antes pelo contrário, o que fez foi pior que um muro. Meteu o documento em banho-maria durante vários anos e suspendeu, agora, a entrada em vigor desta lei.

Tudo isto tem nome: falta de vontade política, falta de compromisso, falta de diálogo, falta de ética, falta de memória, um atentado à constituição e, acima de tudo, um menosprezo total no que diz respeito à Região e aos madeirenses.

Na Madeira, com o PS, nunca houve avanços. Sempre se olhou, de lá e de soslaio, para a nossa terra com intenções de recuos. Nunca houve compromissos, nem sequer diálogo. Basta.

Se a mobilidade é apenas uma parte deste caminho doloroso, que se saiba, principalmente lá (e para tristeza dos que, cá, apoiam esta pouca vergonha), que nunca nos calarão e que, custe a quem custar, tudo tem de ser feito para colocar a Madeira primeiro.