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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

24/09/2023 08:00

No início prenderam três irmãos sacerdotes, Paulo, Aloísio e Boleslau da diocese de Chelmno, região disputada entre a Alemanha e a Polónia. Após alguns meses de sofrimento, fome, sede, trabalhos forçados, o Aloísio foi o primeiro a ser imolado em 1942 e, a ser consumido nas chamas de um crematório; um mês depois foi Boleslau a morrer num campo de experiências de eutanásia tendo pedido a seu irmão que abraçasse os seus pais, esperando encontra-los no Céu, depois de 16 dias o Padre Paulo foi cremado em Dachau.

À matança dos padres católicos em Dachau juntaram-se 141 religiosos de outras confissões religiosas, protestantes, ortodoxos, até uma Testemunha de Jeová, que testemunha a barbaridade que tinha incendiado a Alemanha de Hitler, mas não de todos os alemães. Entre 1938 e 1945, foram deportados para os malditos campo de concentração 2700 padres e seminaristas, colocados em blocos de cimento, chamados "barracas dos padres". 1034 sacerdotes foram ali mortos, devido à fome, doenças, trabalhos forçados, experiências medicinais, câmaras de gaz e queimados nos horríveis fornos que ardiam o dia inteiro e, ainda hoje, só de vê-los, causa repugnância e lágrimas.

Após a libertação do campo de Dachau, ele era o maior cemitério do mundo de padres. Não cito os numerosos milhares de judeus, ciganos e outros condenados à morte, sendo a Polónia o país com o maior número de sacrificados.

Na capela da "barraca dos padres" de 25 nações, de 56 dioceses: 33 da Alemanha, 20 da Polónia, 12 da Itália, 6 da Checo Eslováquia, 2 da Croácia, 1 da Roménia e 1 do Luxemburgo, realizavam-se retiros espirituais, rezava-se o Breviário, e a Bíblia, celebravam-se missas todos os dias, rezava-se vésperas em conjunto, celebrava-se o mês de maio e do Rosário, fazia-se uma meditação quotidiana, conservava-se a disciplina espiritual e intelectual, entre eles havia bons teólogos, exegetas, professores universitários, diretores espirituais. O Campo fez descobrir o que é a Igreja na sua diversidade e unidade, foi um berço, escola e laboratório do diálogo ecuménico.

Um dos casos recentes que o Papa Francisco chamou a atenção e, também, o Presidente da Polónia, foi o caso da Família Ulma, de 8 pessoas, que já figurava na "Avenida dos justos" em Jerusalém, família polaca que ajudava clandestinamente a dar refúgio, a comer e viver escondidos a 8 judeus, família que foi exterminada em 24 de março de 1944.

A Igreja católica estudou este caso na Congregação para a Causa dos Santos e, todos os membros, foram beatificados de uma só vez, o pai, a mãe, cinco filhos menores e um que estava no ventre da mãe e começou a nascer, sendo mártir pelo sangue.

Esta família "é um raio de luz na escuridão da segunda guerra mundial, tanto para nós hoje, como para aqueles que mais precisam", sublinhou o Papa Francisco aos numerosos peregrinos polacos que se encontravam em Roma para a oração do Angelus no domingo.

A beatificação aconteceu na Polónia, em Markowa, foi presidida pelo Cardeal Marcello Semeraro, prefeito para o Dicastério para a Causa dos Santos, assistindo também o Presidente da República Andrsaj Dude. O Cardeal, na sua homilia, chamou esta família os "samaritanos de Marcova" que transformou a sua casa no dizer do Papa Francisco "santidade da porta ao lado".

O pai Josef e a mãe Wiktoria "viveram uma santidade que não era apenas conjugal, mas totalmente familiar, iluminada e sustentada pela graça santificadora do batismo e dos outros sacramentos. Somente dessa forma poderia emergir a beleza e a grandeza do sacramento do matrimónio."

O Papa Francisco, na oração do Angelus, reconheceu a família Ulma e os seus sete filhos, todos mártires por terem posto o Evangelho em prática ao acolherem judeus perseguidos pelo regime nazi, "que ela seja para todos nós, um modelo a ser imitadono ímpeto do bem e no serviço a quem mais precisa".

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