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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

1/10/2023 08:00

No século quarto (330-638), a cidade de Jerusalém, devido à época bizantina, era toda cristã e vivia com grande prosperidade. Os cristãos agrupavam-se junto das muitas igrejas construídas pelos bizantinos. A primeira foi erguida pelo imperador Constantino no Santo Sepulcro, seguindo-se a da Ascenção, no Monte das Oliveiras e a da Natividade sobre a gruta de Belém. A esposa do imperador Teodósio, Eudoxia, desde o ano de 443, realizou diversas obras na cidade santa, como os muros da cidade e os bairros dos cristãos, além da basílica junto à piscina de Siloé e a igreja de Santo Estevão, junto da qual funciona a École Biblique onde estudei.

O imperador Justiniano de Constantinopla, que ergueu a belíssima Aghia Sophia, foi também um dos grandes construtores e benfeitores da Terra Santa, começou por restaurar a basílica da Natividade devido aos estragos dos samaritanos. Veio a Jerusalém em 351 e encontrou-se com o monge São Sabas que fundara diversos mosteiros no deserto, e lhe pediu vários favores: que construísse um hospital na cidade santa para os peregrinos. De uma forma especial, recomendou-lhe uma igreja que o Arcebispo Elias já tinha começado em Jerusalém em honra de Santa Maria Mãe de Deus. O imperador, homem de grande visão e empreendedor, decidiu atender a todos os pedidos de São Sabas. Reformou os mosteiros do deserto, reconstruiu as igrejas degradadas, edificou um hospital de 200 camas, e uma fortaleza no deserto de Judá.

Jerusalém tinha uma pequena igreja situada na piscina probática (das ovelhas), dedicada à Virgem Maria, mas ele quis construir o maior monumento da cidade em honra da Theótokos, a Mãe de Deus, que foi chamada a NEA, ou seja, a Nova. Para tratar deste assunto, o imperador mandou vir de Constantinopla o engenheiro Teodoro e, ordenou às autoridades locais, que retirassem dos impostos da Palestina o dinheiro necessário para este edifício gigantesco. Confiou a suprema autoridade da obra ao arcebispo Pedro de Jerusalém, mas pediu também ao bispo de Bachata a vigilância da construção. As obras da Nea (Nova) demoraram 12 anos. Foi inaugurada em 543.

O escritor Cirilo de Scitopolis refere o esplendor da obra. "Para além de falar da amplitude do edifício sacro, da sua radiante glória e da sua formosa ornamentação, pois tudo está presente diante dos vossos olhos e excede todas as maravilhas que os homens antigos tinham o costume de admirar maravilhas, e os gregos nos narram nas suas histórias." A NEA era a joia preciosa de Jerusalém dedicada à Mãe de Jesus Cristo.

O célebre mapa de Madabá confirma o lugar da colocação deste gigantesco edifício, estava colocada no ângulo oeste do templo de Jerusalém. A Nea foi erguida para os peregrinos da Terra Santa. As pedras eram enormes, transportadas em carros puxados por 40 bois. As madeiras vieram dos cedros do Líbano.

A Nea tinha um mosteiro, uma hospedaria, um hospital de três mil camas para peregrinos, talvez uma biblioteca.

Foi destruída por um terremoto no ano 764. Um arqueólogo israelita descobriu as ruínas em 1970. Numa pedra encontrou-se uma inscrição com o nome de Flávio Justiniano e do bispo Constantino de Jerusalém. Em honra da Mãe de Deus, temos agora Santa Maria Maior, em Roma, com a cópia do ícone das Jornadas Mundiais da Juventude.

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