MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Diretor

27/04/2024 08:05

Volta e meia é repetida a informação de que há circuitos turísticos na Região com demasiada gente. Ou que há falta de espaço para estacionamento, o que causa fortes constrangimentos para profissionais e turistas. Há ainda a indicação de que cresceu exponencialmente o número de viaturas de aluguer a circular na Madeira.

Tudo isso tem sido dito e redito ao longo de vários meses. Tem sido assim praticamente desde que a Madeira voltou a abrir portas depois da pandemia.

O setor turístico apresenta dados que mostram um crescimento nunca visto. São recordes atrás de recordes. No número de visitantes que sobe a cada mês. No número de dormidas. No número de ligações aéreas. No número de cruzeiros.

Tanto crescimento representa vários aspetos bons. Significa que há mais dinheiro derramado na economia regional. Que os hotéis estão com níveis de ocupação mais altos. Que os restaurantes estão à cunha. Que a fila do desemprego diminui consideravelmente. Que o Alojamento Local tem aumentado o rendimento de muitas famílias.

Em tempos, confrontado com esta questão, o presidente do Governo Regional esteve muito bem. Considerou que o aumento do número de turistas constitui um bom problema. E é, de facto, um bom problema que põe a economia a mexer, que cria emprego, que aumenta o rendimento das empresas e das pessoas.

Esse é o lado bom desta equação.

Mas, como em tudo na vida, há mais do que um lado. Neste caso, é preciso atender também ao lado mau.

Ora, o lado mau será a possibilidade de a Madeira arriscar perder algumas referências de qualidade por que é reconhecida nos meios do turismo internacional.

Certamente que nenhum turista gosta de estar horas em filas para percorrer um trilho em plena natureza, por mais bonito e desafiante que seja o percurso.

Poucos turistas gostarão de deixar os carros mal estacionados só porque não encontram lugares para as viaturas que alugaram.

E nenhum turista gosta de sentir que o destino que escolheu, afinal, não corresponde ao que viu, ouviu ou leu sobre as maravilhas da Madeira.

Esse é o lado mau do bom problema de vivermos um excelente momento no setor que é fundamental para a Madeira.

Dito de outra forma, à medida que temos mais turistas, aumentamos a possibilidade de oferecer experiências menos boas. E, da mesma forma que as belezas da ilha foram reconhecidas por gente de todas as nacionalidades, essas eventuais experiências negativas também correm o risco de afetar a boa imagem construída durante séculos.

Por tudo isso, será prudente olhar para esta nova realidade e perceber o que fazer. Já foram dados alguns passos no sentido de evitar o congestionamento dos locais mais procurados, mas sem grande sucesso porque turistas e residentes são livres de ir ao Areeiro as vezes que quiserem.

Também já foram criados mais estacionamentos nesses locais. Mesmo assim persistem os engarrafamentos e as filas de turistas na serra como se estivessem à porta de um museu ou de qualquer outra atração em meio urbano.

Os próprios agentes do setor já começaram a oferecer percursos alternativos nas serras e à volta da ilha.

Mas nem esse esforço todo tem sido suficiente para evitar os constrangimentos que vão inundando órgãos de comunicação e redes sociais. E é aí que reside o lado mau do problema bom.

É evidente que não se pode ter o melhor de dois mundos. Não podemos querer ter muitos turistas sem sentir a pressão. Também não podemos obrigar quem nos visita a trocar o Cabo Girão pela Fajã do Penedo.

Mas talvez seja possível insistir na comunicação atempada de outros locais a conhecer. De apostar na divulgação de percursos alternativos, com outros miradouros, outras rotas, outros caminhos.

Voltamos ao princípio: o claro aumento do número de turistas é um problema bom. Falta é minimizar o lado mau.

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