MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Subdiretor JM

13/01/2024 08:05

Demoraram, mas chegaram. A Madeira abriu definitivamente a porta às taxas turísticas. A ideia, que começou na esfera regional, acabou por vingar no plano municipal.

Num ápice, o modelo anunciado pelo Executivo madeirense ganhou vida própria e tudo o que havia sido planeado para o futuro imediato deixou de fazer sentido. Mas será que isto quer dizer que o Governo Regional desperdiçou uma oportunidade? Pelo menos demorou, inquestionavelmente. E perdeu o timing. Até porque a receita foi quantificada no orçamento previsto para o ano em curso. Ganham as autarquias, que seguem o caminho já desbravado por Santa Cruz e preparam-se para amealhar muitos milhares de euros.

A taxa, avisam, é para ser aplicada na preservação de espaços, na conservação de zonas verdes e outros locais que justifiquem intervenção em função da pressão turística. Mas também na promoção do destino, entre outros aspetos. Resta saber se o Governo ficará mais liberto de responsabilidades a este nível...

Mas, se por um lado vai existir maior margem financeira, por outro, pode e deve haver menor aperto, por sinal no destinado aos residentes. É preciso pensar no que fazer com a folga orçamental e, mesmo que indiretamente, desafogar quem vive submergido com o momento inflacionista que atravessamos.

Quem não tem folga para pagar taxas turísticas noutras paragens, porque divide o tempo entre a casa e o trabalho, está mais preocupado com questões bem menos complexas. Passa o tempo a gerir o seu orçamento familiar e à procura de promoções que minimizem os aumentos de produtos e bens. Sabe que o novo ano também transporta uma tempestade de novas tarifas. E não há como contorná-la, resta apenas atenuar estragos.

Em suma, o momento tem vindo a adensar o clima de intolerância a todos os níveis. Vemos isso ao volante. Lidamos com a inflexibilidade mental de quem espera um pouco nos cafés ou nas filas dos supermercados, etc. Vemos isso igualmente no desporto, como acontece, por exemplo, no Marítimo, em que uma derrota coloca todo um projeto em causa quando ainda está a dar os primeiros passos.

Desde que Carlos Pereira saiu da presidência, aliás, tudo é questionável. Se a equipa ganha, devia jogar melhor. Se não vence é o apocalipse. E começam a chover críticas por tudo e por nada.

E o que é que mudou? Muito de facto. O Marítimo, hoje, tem um madeirense que se fez treinador lá fora, a muito custo e sem cunhas. Merece uma oportunidade? Obviamente que sim.

Surgem cada vez mais jovens nos últimos tempos. É esse o modelo que deve ser seguido? A maioria, pelo menos até há bem pouco tempo, dizia que sim.

Não tem ganho tanto quanto todos quereriam? Naturalmente que sim. Mas o projeto é novo e só pode ser avaliado à posteriori e não quando está a começar.

Pelo menos deveria ser assim, mas é um facto que o desporto, digam o que disserem, não é só uma paixão de milhões, é um escape para quase todos. E são cada vez mais os que precisam de um lugar para ‘gritar’ por tudo e por nada. Antes faziam-no na serra, com mais recato. Agora até brigam para ver quem grita mais alto.

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Qual o seu grau de satisfação com a liberdade que o 25 de Abril trouxe para os madeirenses?

Enviar Resultados
RJM PODCASTS

Mais Lidas

Últimas