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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

16/07/2023 08:00

O século XIX fora um tempo de luta e encerramento de Casas religiosas masculinas, sendo às femininas permitido permanecerem nos seus conventos, mas sem poderem receber outras vocações e, quando a última morresse, a casa passava para a autoridade legal, que recebia o edifício que já lhe pertencia. Com o Bispo admirável Dom Manuel Agostinho Barreto, a maçonaria procurou de todas as formas difamá-lo, mas não conseguiu destruí-lo. Abriu o Seminário, na rua que ainda hoje tem este nome, conseguiu um Reitor alemão, o Padre Ernesto Smith, o seminário foi um dos melhores de Portugal na educação e preparação de jovens portugueses padres para a diocese e vida missionária.

No Século 20

No meu tempo de episcopado, cerca de 25 anos, consegui com a ajuda de Deus e dos padres franceses enviar um padre para Lion ou Paris e outro para Roma. Em França residiam mais de um milhão de portugueses e os nossos padres ajudavam na pastoral das migrações.

O primeiro sacerdote madeirense a seguir para Roma foi o Padre Manuel Gomes Jardim, no ano de 1905, ilustre professor de Teologia e grande escritor. Em 1909 foienviado o Padre Fulgêncio de Andrade que se tornou o maior apreciador da cidade dos Papas e dos jornais da Santa Sé, foi jornalista renomado do Jornal da Madeira, tendo os sobrinhos erguido um memorial em bronze, no exterior da catedral do Funchal. Foi um dos grandes pregadores marianos. Era conveniente que um familiar recolhesse uma parte do material escrito no Jornal da Madeira, e o publicasse.

O terceiro foi o futuro Reitor do Colégio Português e Cardial de Moçambique, Teodósio Clemente de Gouveia, em 1915. Foi um ilustríssimo Reitor do Colégio que deixou uma memória de sabedoria e ótimas relações com os responsáveis do Vaticano. Guardo dele uma grata e abençoada memória das visitas a Roma e encontro com os padres madeirenses do meu tempo, Dom Maurílio, Padre Abel Siva, Padre Rufino, além de mim próprio.

Seguiu-se depois o Dr. Angelino Barreto, em 1928, e, em 1934 o Doutor Agostinho Gonçalves Gomes, meu professor de Direito e grande Vigário Geral que dirigia a diocese com sabedoria e dedicação, de tal forma que nas minhas frequentes visitas aos emigrantes, que me foram confiados e não desejados, nas cinco partes do mundo.

Uma pequena reflexão sobre o Pontifício Colégio Português em Roma e a Madeira, não sei quantos Reitores do Colégio Romano pertenceram às outras dioceses, mas a julgar pela pequena dimensão da Madeira e as outras dioceses, nenhuma, penso, nos corre à frente. Somos já quatro Reitores: Cardeal Teodósio, Teodoro de Faria, Cardial Tolentino, Monsenhor Estevão, a começar no próximo mês de setembro. Este serviço estendeu-se não apenas a Portugal, neste ano dos quarenta padres estudantes em Roma, só metade eram portugueses, os outros provinham de países dispersos por toda a terra.

Temos necessidade de mais padres, o pão com que foram amassados e cozidos na ilha serve para alimentar o mundo da fé e da caridade.

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