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Ucrânia: Zelensky pediu ajuda à China para devolver crianças deportadas para Rússia

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Data de publicação
28 Abril 2023
18:57

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse hoje que solicitou a ajuda do seu homólogo chinês, Xi Jinping, no processo de devolução de crianças ucranianas deportadas pela Rússia, cujo número é oficialmente estimado em cerca de 20.000 por Kiev.

"Eu enderecei este pedido ao Presidente chinês [durante a conversa telefónica com ele na quarta-feira]", disse Zelensky durante uma conferência de imprensa em Kiev.

"Temos que envolver (...) diferentes países para pressionar o agressor e terrorista russo, que sequestrou tantos dos nossos filhos", acrescentou.

"É realmente difícil de fazer", disse Zelensky, frisando aos jornalistas que a ONU e outros atores internacionais estão a tentar "fazer alguma coisa" para resolver este problema, embora "por enquanto, os resultados sejam fracos".

Kiev estima que pelo menos 19.400 crianças foram sequestradas e levadas para a Rússia ou territórios ucranianos ocupados desde o início da invasão da Ucrânia e que muitas foram colocadas em lares adotivos, às vezes a vários milhares de quilómetros das suas casas.

Mais de 360 crianças foram recuperadas pelas autoridades ucranianas, segundo dados oficiais.

Devido às deportações, em março o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra o Presidente russo, Vladimir Putin, e para Maria Lvova-Belova, comissária russa para crianças.

O promotor do TPI, Karim Khan, que investiga possíveis crimes de guerra ou crimes contra a humanidade cometidos durante a ofensiva russa há mais de um ano, disse à France Presse que o número de supostas deportações de crianças ucranianas para a Rússia ou territórios que ela controla "chegou aos milhares".

Zelensky também disse hoje que alertou Pequim durante a sua conversa com Xi para uma possível venda de armas chinesas à Rússia.

"A Ucrânia gostaria que todos os países entendessem os riscos de fornecer qualquer tipo de armamento à Rússia", observou, afirmando ter "ouvido uma resposta positiva" do Presidente chinês sobre este assunto.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas - 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 8.574 civis mortos e 14.441 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Lusa

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