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Grupos criminosos espalham o caos em Caracas

JM-Madeira

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Data de publicação
28 Julho 2021
9:48

Agostinho Gomes Lucas recorda que os grupos que estão a causar a desordem em terras de Simón Bolívar surgiram após Hugo Chávez ter permitido e ‘oferecido’ material bélico a determinados indivíduos nos bairros mais humildes de Caracas.“Nestas últimas semanas eles [grupos armados] têm avançado e entrado em vários lugares. É lamentável que isto esteja a suceder mas é também lamentável que as autoridades não atuem o suficiente. Estamos mal se não temos forças armadas ou policiais que possam combater estes grupos”, afirma perentório Agostinho Gomes Lucas, madeirense radicado na Venezuela, sobre o clima de instabilidade que se tem adensado nas últimas semanas no país onde reside.

De visita à Madeira e em entrevista exclusiva ao JM, o ex-presidente da comissão pró-celebração do Dia da Madeira em Caracas lembra que estes grupos “criados em bairros mais humildes” foram permitidos pelo antigo chefe de Estado, Hugo Chávez.

“Foram permitidos pelo Hugo Chávez, que criou zonas de paz, e deu-lhes armas para supostamente defenderem aqueles bairros. O problema é que por uma razão ou por outra desviaram-se do objetivo inicial e agora são zonas em que não podem entrar nem a polícia nem as forças armadas. São bloqueados por eles”, lamenta.

Apagões são constantes

Além dos confrontos das últimas semanas, a falta de serviços e bens essenciais é uma constante – principalmente fora da capital – conforme relata.

“Os apagões na Venezuela são normais, sobretudo fora de Caracas – eu como vivo em Caracas posso dizer que sou um afortunado. Os apagões nas cidades do interior do país podem ser de 12 horas, 24 horas, enfim, é horroroso. Diria que é frequente nos últimos cinco ou seis anos”, descreve.

Alem dos apagões, a escassez de gasolina é outro dos problemas. A Venezuela mantém relações com países como a China, a Rússia, a Turquia ou Cuba, ainda assim, as sanções de países como os EUA afetam o país, sobretudo neste aspeto.

Petróleo existe, mas…

“O petróleo existe mas os equipamentos e maquinarias estão obsoletos por falta de manutenção. Assim não podem processar (refinar) o petróleo e extrair todo o benefício que o petróleo tem. Se houvesse licença para que as companhias petrolíferas internacionais explorassem, não havia nenhum problema”, explica.

Agostinho Gomes Lucas explica que neste aspeto “há um bloqueio forte que impede que certas companhias, sobretudo as americanas, façam a exploração e refinação desse petróleo”. Nos últimos tempos, a Venezuela tem consumido gasolina proveniente da Turquia, algo que não impede o membro da comissão pró-celebração do Dia da Madeira em Caracas de lamentar a atual situação.

“Um país com as maiores reservas de petróleo do mundo nesta situação é quase difícil de explicar, mas é a realidade”, remata Agostinho Gomes Lucas.

Por Marco António Sousa

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