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Nélson Évora anuncia que Tóquio marca a sua despedida dos Jogos Olímpicos

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Data de publicação
29 Julho 2021
10:29

Nélson Évora confirmou que estes são os seus últimos Jogos Olímpicos e que se está a divertir como nos primeiros, motivo pelo qual "não há limites" para o que pode fazer na competição, onde "nunca" subestimou ninguém. O campeão olímpico do triplo salto em Pequim2008, aconselhou hoje os colegas da missão portuguesa pretendentes a medalhas em Tóquio2020 a "divertirem-se ao máximo", entendendo que se esse aspeto falhar é mais difícil atingirem o êxito.

"Devem manter-se focados e concentrados como já estão. Todos os dias. Focados e a quererem muito. O único segredo que posso dar é que se divirtam ao máximo", disse, em conferência na Aldeia Olímpica.

O atleta, um dos quatro campeões olímpicos de Portugal em mais de 100 anos, a par de Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro, recordou que esse foi um dos segredos do seu sucesso no triplo salto na China, lembrando os tempos com Arnaldo Abrantes em Pequim.

"É um dia em que, sem dúvida, sentimos o peso da responsabilidade, mas temos de ir felizes lá para dentro. Se não formos, se estivermos angustiados… ", acrescentou, citando o exemplo da ginasta norte-americana Simone Biles, multicampeã olímpica, em ‘colapso’ emocional no Japão.

A este propósito, desafiou mesmo a que o tema da "saúde mental" seja mais bem explorado no desporto, pois acha que uma parte significativa dos competidores nos Jogos Olímpicos não querem ter mais nada a ver com a atividade depois de se retirarem devido à "elevada pressão" a que estão sujeitos em permanência.

Nélson Évora interpreta que "tanta pressão" no seu desempenho terá feito com que Biles "se tenha esquecido que é preciso divertirmo-nos, mantermos a criança que há em nós e que, realmente, faz a diferença nesses momentos".

O saltador reviveu o seu caso na Aldeia Olímpica de Pequim, juntamente com o ex-atleta Arnaldo Abrantes, contando que nesses dias falava com os outros, jogava jogos, comia bolos e os lanches à disposição pela organização, como qualquer outro participante.

"E, depois, estávamos muito concentrados para o que vínhamos fazer, trabalhar à hora. Quando chegou o dia para ir para a pista, estamos saudáveis, sem dar muito importância à pressão", exemplificou.

Para reforçar a tua teoria, citou o exemplo do ex-velocista Usain Bolt, recordista do mundo dos 100 e dos 200 metros, e o da japonesa Nomiji Nishiya, de somente 13 anos, a primeira campeã olímpica de skate, nestes Jogos.

Pedro Pablo Pichardo será o maior candidato ao ouro no triplo salto onde vai competir Nélson Évora e também Tiago Pereira, deixando também um conselho ao colega de equipa.

"O maior perigo dele é ele próprio. O superar-se a si mesmo. Podemos aproveitar os outros para irmos mais além, mas somos sempre nós… E ele só terá de controlar as suas emoções, fazer o que tem de ser feito e superar-se. Somos nós quem nos limitamos. Na verdade, é desafiamo-nos a nós mesmos, pois não estamos aqui a competir contra ninguém", completou.

Redação/Lusa

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