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A vila da Ponta do Sol é uma"lição de arquitetura extraordinária"

JM-Madeira

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Data de publicação
25 Julho 2021
5:00

A Câmara Municipal da Ponta do Sol discutiu este sábado, numa mesa redonda realizada no auditório do Centro Cultural John dos Passos, o passado, o presente, mas também o futuro arquitetónico da sua vila.

No âmbito da exposição "Vila: do Tempo e do seu Desenho" [mostra que se encontra patente ao público na antiga esquadra da PSP e da capela Santo António] e através do olhar de cinco oradores, o debate serviu para percorreu as ruas, os edifícios e o património edificado de uma vila secular como é a da Ponta do Sol.

Célia Pessegueiro, a primeira a ter a palavra, disse que era importante perceber-se como a vila se construiu e como é que ao longo do tempo os técnicos e a população se envolveram na discussão dos projetos apresentados para a mesma. A presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol recordou que não é só neste tempo e com os novos planos de ordenamento do território que se discute o território e que é preciso refletir sobre o que se pretende para o futuro, não só desta vila, mas também de outras localidades do concelho.

Já o arquiteto Pedro Gonçalves, responsável pela exposição associada a este evento, explicou que esta surgiu na sequência da Operação de Reabilitação Urbana (ORU) da Ponta do Sol, revelando que, na montagem da mesma fez descobertas muito curiosas, algumas interessantes, outras nem tanto do ponto de vista arquitetónico que estão atualmente guardadas no Arquivo Regional.

Também convidado a dar a sua opinião neste debate, o historiador Emanuel Gaspar disse que o núcleo antigo da Ponta de Sol ainda guarda o seu lado mais pitoresco e histórico, salientando que esse lado é, sem dúvida, para permanecer.

O seu conjunto arquitetónico é o que faz dela "uma vila especial" e é isso que deve permanecer, considerou o historiador.

Outro dos oradores convidados foi Paulo David. O arquiteto, que participou no debate via online, afirmou que lhe agradava o trabalho que está a ser feito na Ponta do Sol ao nível do ordenamento do território, referindo que o facto de a vila "beijar" o mar faz dela uma "lição de arquitetura extraordinária" e que o município deve sentir-se orgulhoso com isso.

Considerando que estamos neste momento numa fase de "ecologia" em que é preciso entender estes lugares como um "organismo vivo" e como um sistema que aglutina muitos valores, Paulo David frisou que o desafio agora é saber-se como é que se vai fazer a regeneração destes próprios lugares.

Ilídio Sousa, diretor regional do Ordenamento do Território e geógrafo de formação, disse que é preciso "percebermos" quatro sistemas: o sistema socioeconómico, de proteção ambiental, de povoamento e de riscos.

Sem querer defender a intervenção no território tal como foi feita, o geógrafo entende que aqueles quatro aspetos devem ser ponderados e não apenas do ponto de vista estético. Frisou que deve ser garantida a segurança das populações e a necessidade de se proteger a vila, sobretudo por causa das alterações climatéricas.

A fechar este painel de oradores, o arquiteto Marco Telmo disse que há coisas que podem sempre ser feitas, alertando para a importância

de pensar-se sempre primeiro.

"Não podemos correr o risco de levar estas coisas com demasiada dinâmica", considera, salientando que, até pela própria orografia do local, é preciso "muito cuidado".

"As populações deste concelho têm de pensar naquilo que querem para o futuro da própria Ponta do Sol", sugeriu.

Dinâmica da vila em análise

A forma como a vila da Ponta do Sol está organizada, atualmente o centro congregador da maioria dos serviços públicos, foi também trazida para este debate.

Não concordando com a ideia de que o edifício da Câmara devia ser outro que não o atual, Célia Pessegueiro justificou a sua opinião com o facto de entender que a vila deve continuar a ser o sítio onde as pessoas têm acesso aos principais serviços.

A autarca entende que a vila deve continuar a ser "usada", reconhecendo, no entanto, que esta precisa de mais residentes.

Já sobre as obras no edifício do Tribunal, disse que pelo que lhe foi dito é que a obras avançariam no próximo mês de agosto, lembrando que alguns serviços terão de ser deslocalizados e que essa gestão já começou a ser feita.

Não uma, mas várias obras de sonho

Questionada a dizer qual seria a sua "obra de sonho" para a Ponta do Sol, Célia Pessegueiro respondeu que não há uma, mas sim várias, declarando que gostaria de ver continuado o trabalho de reabilitação da vila. Aliás, a presidente revelou que um dos desafios lançados a si mesma era levar o lado mais urbano da vila da ponta do Sol a outras localidades, isto é, que este fosse replicado em todo o concelho da Ponta do Sol.

Mostrou vontade em criar novas centralidades, exemplificando com o local onde se encontra o Solar Esmeraldos e com a Levada do Poiso, de modo a levar pessoas até àquelas localidades.

O "sonho" é esse, afirmou, reconhecendo que o pensamento que se tem para a Ponta do Sol vai sempre parar à vila.

"A Ponta do Sol teria outra harmonia", concluiu, já a fechar esta mesa-redonda que, apesar de ter contado com público na plateia (limitado por causa da covid-19), foi transmitida em direto através do canal naminhaterra.com e das rádios 88.8 JMFM e Calheta.

Alojamento local deve ser repensado

O alojamento local foi outro dos temas trazidos para este debate.

Acerca deste tema, o arquiteto Marco Telmo revelou que existem em todo o concelho 174 casas cedidas para alojamento local.

Atualmente a vila da Ponta do Sol tem muito poucos residentes e reconhece que tem de haver mais políticas para atrair mais famílias para a mesma, confirmando na ocasião que cresceu o interesse de investimento na vila.?Sobre o alojamento local, o arquiteto Paulo David reconhece que este foi uma importante alavanca económica, num momento financeiramente difícil, e que ajudou a reabilitar e até a trazer alguma dinâmica a alguns sítios. Contudo, mostrou alguma preocupação em relação à sua evolução e disse que estamos no "momento político ideal para percebermos como é que vamos concentrar os nossos rendimentos ao não regulamentar esta questão do alojamento local".

Por Lúcia M. Silva

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