Ilha de sonho, Madeira!

Há uns anos atrás, andava eu pelo mundo da música coral, e no meio de tantas obras de canto coral a quatro vozes, havia uma melodia do saudoso Maestro João Victor Costa, e um poema que de vez em quando dou por mim a cantarolar “Ilha de sonho, Madeira, não és maior que uma rosa! És de todas a primeira, não há outra mais formosa!”.

E de facto, depois de tudo o que o mundo tem vivido desde a declaração pandémica em 2020, a nossa Madeira tem sido uma ilha de sonho, porque apesar de todas as regras, de todos os obstáculos, temos vivido a pandemia com serenidade e com esperança!

A realização da Festa da Flor neste mês de outubro, é o espelho da necessária renovação, da esperança e da transformação que devemos enfrentar não só enquanto povo, mas também enquanto cidadãos!

A retoma deste cartaz turístico neste momento de viragem da luta contra a pandemia, numa altura em que atingimos percentagens de vacinação covid muito positivas, é sem sombra de dúvida o melhor sinal de abertura que a população poderia almejar!

O Cortejo Alegórico da Flor é o momento alto desta celebração que dá destaque a uma beleza que se quer pura e graciosa, representada de diferentes formas. Um deleite para os espetadores que podem acompanhar o sumptuoso espetáculo onde a Flor é protagonista, quer por via das novas tecnologias, quer de forma presencial, com o devido distanciamento e com todas as medidas de segurança que devem ser praticadas por todos os cidadãos. Este desfile revela a abundância e a variedade de espécies que ganham ainda mais vida por se fazerem acompanhar de harmoniosas melodias. Uma diversidade de flores que se misturam e formam uma paleta de cores vivas que não escapa aos olhares curiosos e aos frenéticos cliques das máquinas fotográficas.

Mas existem também outros regalos para os nossos sentidos no decorrer da Festa da Flor! A retoma da iniciativa do “Muro da Esperança” no Largo do Colégio, os tapetes florais construídos por vários artistas locais na Avenida Arriaga e as exposições na Praça do Povo e Praça da Restauração, são locais de paragem obrigatória para residentes e visitantes e motivo para a realização de selfies, fotos e vídeos que imediatamente são partilhados nas redes sociais e que promovem de forma instantânea e universal a imagem da Madeira pelo mundo; que culminou numa cerimónia de apelo à paz, são também dois momentos que fazem parte da nossa memória coletiva, e que devolvem a alegria, o movimento e a vida ao centro da nossa cidade do Funchal.

No momento em que mais se ouve falar de desconfinamento e de reabertura, este é sem dúvida o evento de que a Madeira precisada! Que a população saiba vivê-lo com responsabilidade, e que a reabertura dos restantes sectores se faça com a segurança necessária, mas também com muita alegria por parte dos clientes e dos empresários que voltam a ver os seus estabelecimentos preenchidos, e que a economia retome o seu caminho, pois todos precisamos que a vida regresse à normalidade!

Por fim, não posso deixar passar esta crónica, sem enviar um abraço à família proprietária e aos funcionários do Restaurante “Bragado’s” em Santana; gente trabalhadora, honesta e persistente, que se viu a braços com uma enorme dificuldade que por milagre não se tornou numa tragédia! Que a comunidade vos abrace e apoie, e que todos os organismos responsáveis vos ajudem a se reerguer das cinzas!