MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Subdiretor JM

6/01/2024 08:05

A vida parece impulsionada por tendências. Construídas por personagens atentos e capazes de convencer muitos dos que, mesmo bem informados, deixam-se contagiar por populismos exacerbados sustentados nas dificuldades que nos condicionam e toldam o espírito.

As tendências, no entanto, são cada vez menos inovadoras. Limitam-se a repetir exemplos de aparente sucesso, sob a lógica de que se funciona para uns, também pode funcionar para outros. Não importa se acreditamos no modelo. Interessa apenas convencer o máximo de pessoas de que é possível aplicá-lo.

Adivinhar o que os outros querem é, portanto, o desafio que muitos assumem durante os dias de hoje e beneficia mais quem chega primeiro, como é óbvio. O segredo é prometer mundos e fundos e esperar que as pessoas – principalmente as que formam a oposição – continuem mais importadas com os problemas atuais do que com as promessas do passado.

Veja-se o caso do PAN. O que antes era grotesco, agora já é tolerável ao abrigo de um acordo que lhe retirou do anonimato regional. Mas atenção. Não deixam de defender os ideais que fundaram a estrutura partidária. Concentram-se é noutras áreas geográficas em que o poder não pertence a parceiros, claro.

O caso do PAN, todavia, é semelhante a todos os outros. O CDS, por exemplo, também alinha pelo mesmo diapasão, anuindo nas críticas apontadas pelo PSD nos concelhos que são socialistas. Só o PS procede de forma diferente. Mas só porque não se entendem.

Enquanto alguns tentam adivinhar o presente, outros apostam forte no futuro. Prometem conquistas inauditas, sucessos nunca alcançados ou, no mínimo, melhorias significativas. Palavras que servem de estímulo para uma boa parte da população.

Na Madeira, por exemplo, o JM noticiou recentemente que metade dos contribuintes ganhava menos de 10 mil euros por ano em 2021. A classe média, cada vez mais estrangulada, auferia um pouco mais. Perante um cenário tão turbulento financeiramente, é legítimo pensar que a mudança pode ser como a que prometeu o Tiririca: pior do que está não fica. Mesmo que, muitas vezes, a coisa enegreça ainda mais.

2024 é, por isso, mais um ano de anseios, com três atos eleitorais a funcionarem como uma espécie de garantia de promessas extremas, independentemente de o momento inflacionista deixar pouca margem para sonhar. Os mesmos anseios que dominaram o arranque de 2023 ou 2022 ou os anos precedentes.

Ano após ano, os balanços são recheados de recordes e vitórias repartidos por todos, que são quase sempre os mesmos, mesmo os que perdem. Mas, mormente o talento e empreendedorismo de alguns poderem catapultá-los para patamares superiores, a maioria continua afundada e aberta a populismos que os enchem de esperança enquanto espalham outros perigos.

Ciclo de tendências repetitivas que continuará a predominar. Porque a alteração depende da identificação e compreensão do que está mal para agir em conformidade. Mas parece que aqui, ou noutro lado qualquer, continuam a ser demasiados os que pensam que estamos a viver no país das maravilhas.

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Concorda com a mudança regular da hora duas vezes por ano?

Enviar Resultados
RJM PODCASTS

Mais Lidas

Últimas